segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cat Stevens - Uma das mais belas canções de sempre

Faz-me lembrar o meu Avô.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"SETEMBRO" - NA ESPERANÇA DE UM PAÍS MELHOR

QUANDO CHOVE NO BARREIRO



Costumo não gostar do que vejo da janela do meu quarto, voltada para o Barreiro Velho. Geralmente só aumenta a saudade que sinto da minha casa, aquela de verdade.

Mas hoje choveu.

E choveu diferente.

Uma chuva vagarosa, ritmada.

Deu para imaginar-te como uma brisa fresca a entrar-me pela janela.

E deu-me vontade de sorrir.

Pura imaginação.

A chuva continua a cair noite dentro.

Há pouco, quedei-me uns minutos a contemplar a cidade e cheguei mesmo a sentir-me gelada de solidão.

Acho que sempre gostei de estar por aqui embora, no fundo, eu saiba que não passo de uma estrangeira.

Ao longe, escondido na bruma, lá está o teu prédio. Daqui, parece um arranha-céus.

Não sei porquê, parece-me mais distante agora, sob a luz desta cidade que adormece.

Vou adormecer, para acordar de manhã e ter a certeza.

Que mais uma noite eu amei o Barreiro.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O SAPO



Hoje o PSB engoliu o maior sapo da sua história.

A inauguração do Mercado 1.º de Maio não podia ter corrido melhor e foi um sucesso.

Viram-se sorrisos nos rostos daquelas pessoas simples que laboram como operadores nas diversas lojas e bancas, daquele espaço. Todos foram unânimes em admitir que o Mercado 1.º de Maio tem agora condições excepcionais e rivaliza com qualquer congénere europeu.

De um modo geral, até os mais críticos deram a mão à palmatória, porque a obra ficou bonita de se ver.

A estátua de Alfredo da Silva foi a cereja no topo do bolo e constituiu a grande surpresa, tão bem guardada durante o tempo que duraram as obras.

O holandês afirmou alto e bom som, sem qualquer pejo, que a CMB está bem entregue a Carlos Humberto.

Vi lá três monos, com o seu ar enfastiado, debaixo de um sol abrasador, trajados de escuro, quais aves de mau agoiro.

Até me admiro como nenhum deles ainda não se apressou a escrever um artigo de opinião no "Rostos", reclamando a paternidade da obra do Mercado 1.º de Maio, para o PSB.

Só faltava essa!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

POLÍTICAS À PARTE


Prometi a várias pessoas que viria aqui brevemente escrever um "post" sobre a situação política no Barreiro e não só.

Após as tradicionais férias de Verão, voltamos a Eleições e, consequentemente, às Campanhas Eleitorais e ao primado da política na actualidade nacional.

Isto passa-se num país onde a confiança da população no Regime, no Sistema Governativo, nas Instituições de Justiça, nos órgãos de Soberania em geral, na Administração Pública, nos detentores de Cargos Públicos e em toda a Classe Politica, é mínima, como não há memória de ter sido, depois da rebaldaria em que se tornou a chamada 1.ª República.

Algures, entre a instalação da Democracia representativa em Portugal e os nossos dias, as convicções e as crenças parecem ter desaparecido. Os sentimentos patrióticos estão reservados apenas para as selecções de futebol e as paixões por causas nobres estão reservadas para festas em discotecas, onde se angariam fundos e auto-promovem pseudo-vedetas.

A intriga intra-partidária fede de tanta ausência de solidariedade entre correlegionários, de desrespeito pelos líderes e por incumprimento dos compromissos assumidos em Congresso.

A intriga inter-pardidária recrudesceu e o debate tornou-se arrogante e de baixo nível.

O poder não responde às questões da oposição. Dribla, evita e foge às perguntas, fingindo-se insultado por elas.

Os Adversários já se não detestam por diferenças doutrinárias. Agora odeiam-se por inveja de cargos de poder e de acesso a altas remunerações ou pelo domínio de grupos financeiros essenciais à nossa debilitada economia. Em alternativa, agora são solidários nas mesmas fraquezas e na desmedida ambição pessoal que cultivam ao arrepio do que é razoável.

O carácter dos políticos é constantemente colocado em causa, apenas porque eles,na generalidade, o não possuem.

A psicologia política vigente não é a de servir o Povo mas a de servir-se da “coisa pública”.

A integridade é cada vez menor e os armários estão a abarrotar de esqueletos vestidos com fatos Armani, comprados em Paris e NY.

A culpa é também nossa (de todos nós). Há muito que nos demitimos, por laxismo e preguiça mental, de exercer o direito de voto e da obrigação de fiscalizar a acção daqueles que se intitulam políticos. Colocámos as “jóias da democracia” nas suas mãos rapinantes.

Criticámos os políticos de carreira. Confundimos carreira com carreirismo político e agora temos amadores analfabetos e pára-quedistas no exercício do poder, misturados com oportunistas e saqueadores. Todos eles apressados e preocupados em enriquecer-se a si próprios, aos amigos, família e afilhados.

Vem aí de novo a Campanha Eleitoral mas esta, ainda que em tempo de crise, bate todos os recordes de despesismo e gastos de um modo obsceno, sendo que o exemplo pior é dado pelo mesmíssimo partido que exige mais e maiores sacrifícios aos portugueses.

É por estas e por outras que não podemos classificar de "política", tudo aquilo que se está a passar no nosso País, ao nível do referente paradigmático.

O Barreiro não é excepção. O PSB está enfermo da mesma doença.

Vai caber às pessoas de bem, descomprometidas e com sentido crítico, colocar uma ordem e um sentido naquilo que peca por ser um caos de vontades e de vaidades.

Para cada veneno existe sempre um antídoto específico.

Caberá a todos nós encontrá-lo e administrá-lo com sabedoria.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Tango dos Barbudos

Hoje ao arrumar os velhos discos de vinil, encontrei uma preciosidade que julgava perdida.

O Tango dos Barbudos, que consegui comprar em Bruxelas, o ano passado, gravado em CD. Apressei-me a passá-lo para o MP4 que me acompanha sempre.

O resultado é que dou por mim, muitas vezes, a dançar sozinha, com os colegas todos a olhar com aquele ar de comiseração, como quem diz: "Coitada! Passou-se! São os efeitos da gripe A. Em casa de ferreiro, espeto de pau".

Será que aquele morcão ainda se lembra de como gostavamos de ouvir e dançar esta música, nos nossos tempos de crianças?

Aposto que ele não a tem em CD, nem em MP4.

Ainda bem. Ao menos serei só eu a fazer "figuras tristes" e a dançar "sola".

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O REGRESSO


Ora cá estou eu novamente, depois de umas longas e merecidas férias, para dar continuidade a uma série de coisas que tenho programadas e que espero poder levar a cabo, até ao final do ano.

Prometi ao José Gil que iria escrever um "post à maneira", depois do meu regresso de férias, mas o que é facto é que fui acometida de uma certa preguiça mental, doença muito comum no pós período de ócio e que leva o seu tempo a curar.

Vou fazer os possíveis para cumprir o prometido, até porque há outras pessoas interessadas em ver o circo a pegar fogo.

Até lá, aguardem com serenidade, porque isto de vir de férias e ter mudado de casa, tem que se lhe diga. Primeiro que tudo volte aos seus lugares e à normalidade e que eu saiba localizar os meus pertences, no meu novo espaço, vai levar o seu tempo.

Acresce o facto de ter estado uma boa parte das férias sem "portátel", porque, por descuido e incúria, resolvi dar-lhe um banho de mar, numa praia alentejana. O resultado foi que o dito computador jaz algures numa lixeira daquelas paragens.

Logo que tenha os meus livros todos catalogados e arrumados nas estantes respectivas, então virei aqui, para cumprir o prometido.

Beijokas para todos.

Desculpem não ter respondido a todas as mensagens e e-mails, mas foi-me mesmo impossível.

sábado, 11 de julho de 2009

"...MAIS SOCIALISTAS E MENOS FIGURANTES"



"Em nenhum outro país europeu a esquerda é eleitoralmente tão forte como em Portugal. Mas essa força não serve para grande coisa. Sobretudo não serve para governar, seja em coligação seja através de acordos pontuais. Em caso de maioria relativa do maior partido da esquerda, a governabilidade só é garantida à direita, quer através do bloco central quer com o apoio do CDS. Nem o PCP e o BE estão disponíveis nem o PS quer governar com qualquer deles. As nossas esquerdas parecem ter como desígnio principal excluírem-se umas às outras. É uma das originalidades portuguesas.

Depois da queda do muro de Berlim, os partidos comunistas quase se evaporaram. Com a honrosa excepção do PCP, não só pelo seu papel na luta antifascista, mas também devido ao facto de Álvaro Cunhal ter preservado a ideologia tradicional do partido, fixando assim o núcleo essencial do seu eleitorado.

Esperava-se então que fosse a hora do socialismo democrático. Mas o que veio foi a globalização neoliberal. Com os socialistas na defensiva ou ideologicamente colonizados. Essa é talvez a razão pela qual a nova crise global do capitalismo financeiro beneficiou a direita e não a esquerda. Parafraseando Saramago, para quê votar à esquerda se não há esquerda? Como projecto de governo, não há. Se não mudar, o socialismo europeu corre o risco de ter um destino semelhante ao do movimento comunista. Se a esquerda de poder imita o poder da direita e as outras continuam a sonhar com os amanhãs que já não cantam, se, no seu conjunto, a esquerda deixa de representar um horizonte visível de esperança, os eleitores viram-se para outro lado e para a ilusão da segurança que, em época de crise, a direita oferece. Pelo menos a direita sabe o quer: quer poder. E não tem os pruridos da esquerda, une-se para o conquistar.

As próximas eleições serão marcadas por uma ofensiva ideológica da direita. O que está em causa é o consenso constitucional aprovado por larga maioria, incluindo o PSD, sobre os direitos sociais (escola pública, universalidade do acesso à saúde, segurança social pública). A líder do PSD anuncia o fim de um ciclo e de uma concepção da democracia em que direitos políticos e direitos sociais eram considerados inseparáveis. Com o absurdo de o PSD partir para as eleições com a bandeira da ideologia que está na origem da actual crise mundial. Sabem-se os objectivos: papel do Estado, protecção social, direito do trabalho.

Os resultados desta receita estão à vista em toda a parte: desregulação do mercado entregue a si mesmo, busca sem freio do lucro pelo lucro com total indiferença pelos custos sociais, ausência de ética e transparência. Na hora do colapso do neoliberalismo, MFL faz o discurso ultraliberal do Estado mínimo. À força de tanto querer rasgar, acabará por rasgar o horizonte social do 25 de Abril, consagrado na Constituição.

E por isso impunha-se um sobressalto. Seria preciso que os socialistas acordassem do seu torpor e que dentro do PS se ouvissem vozes a exigir uma mudança. Não só de estilo, mas de pessoas e de políticas. Na educação, no trabalho (cujo Código é imperioso rever), na Justiça, na função pública, na relação com os sindicatos, na afirmação do primado da política e na urgência de libertar o Estado de interesses que o condicionam. Seria preciso que o PS fosse capaz de se reencontrar consigo mesmo, com os seus valores e com o seu eleitorado. E que as outras forças de esquerda, sem abdicarem das suas posições próprias, definissem com clareza o adversário principal e se interrogassem sobre as consequências de um eventual governo de MFL. Se a direita governar, o povo da esquerda será o principal perdedor, independentemente da votação nos partidos que dele se reclamam.

Dir-me-ão que a maioria PS não governou à esquerda. Eu gostaria que tivesse governado de outra maneira. Mas também sei que uma maioria de direita jamais deixaria passar o referendo sobre a IVG e a lei do divórcio. Sei que com um governo de MFL o SNS será praticamente desmantelado e o papel do Estado, como ela já afirmou, "reduzido ao mínimo indispensável".

Como socialista, não me compete dizer ao PCP e ao BE o que devem fazer. Gostaria que uma maioria de esquerda fosse capaz de gerar soluções políticas alternativas. Mas não tenho ilusões. Tal só será possível com uma ruptura de cada uma das esquerdas consigo mesma. O que está longe de acontecer.

Aos socialistas digo que ainda há tempo. Ainda é possível vencer o PSD. Mas não será com certeza ouvindo opiniões à direita e esquecendo a sua própria esquerda. Nas europeias, não foi o PSD que teve um aumento significativo de votação, foi o PS que perdeu grande parte da sua base social, a ponto de, pela primeira vez, ter ficado aquém de um milhão de votos. Várias vezes falei de um buraco negro na esquerda. A soma da abstenção com os resultados do BE e do PCP mostram que esse buraco se situa na área do PS. Não é crível que personalidades de direita consigam recuperar para o PS o eleitorado que este perdeu para a abstenção e para a esquerda. Os socialistas não podem ter um discurso emprestado. Não se combate o liberalismo ultra com o liberalismo suave. Nem se vence o PSD com ex-ideólogos do PSD. Ainda é possível dar a volta. Mas algo tem de acontecer. Apesar dos erros, a bandeira do PS não está no chão. Mais política e menos marketing. Mais socialistas e menos figurantes. Um pouco mais de esquerda. Ou, como diria Mário Cesariny, "um acordar".

Para que um dia destes não estejamos a perguntar-nos como é que se perdeu mais uma oportunidade e como é que um país maioritariamente de esquerda pode acabar uma vez mais a ser governado pela direita."

Artigo de Manuel Alegre, publicado na edição impressa do Expresso, de 11 de Julho de 2009

Eles ainda estão no primeiro sono, Manel. Quando "acordarem", já vai ser tarde demais.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"SUMMERTIME"


O tempo tem passado a correr. Parece que foi ontem que regressei das últimas férias de Verão e eis que estou novamente a programar outras, que terão lugar já no próximo fim de semana, até meados de Agosto.

Este ano optei por passá-las em Portugal, com um grupo de amigos de longa data. Mas não quer dizer que não me passe uma coisa pela cabeça e decida ir para um destino qualquer, sozinha. Já não seria a primeira vez.

Depois do casamento da D.ª Mimi, em Trás-os-Montes, rumarei a Sul onde me esperam boas amizades e óptimos locais de lazer, nomeadamente as praias alentejanas e a costa de Setúbal.

Já tenho saudades daquelas caldeiradas a bordo da traineira do Senhor Rocha, pai de uma das minhas colegas de Faculdade e dos frascos de doce de tomate que uma idosa de Setúbal tem por hábito oferecer-me, quando vou visitar estes meus amigos.

Ultimamente tenho andado pouco por aqui, porque o trabalho aperta e avizinham-se mudanças inevitáveis, na minha vida pessoal e profissional.

Em Outubro, vou recomeçar a dar aulas numa Universidade Privada, a par de outras actividades que tenho. Não sei se conseguirei conjugar tudo, mas vou fazer os possíveis, porque "querer é poder".

Entretanto, sempre que puder, irei passando por aqui.

Para todos, boas férias e façam os possíveis por serem boas pessoas.

Beijokas para todos.

PARA O CÉU



SÃO PARA TI.

PARA ALGUÉM, ALGURES NESTE MUNDO CRUEL

BONS TEMPOS...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas

Vídeo gravado na cidade do Porto, onde vivi vários anos da minha vida.

O Poema é belíssimo e os protagonistas são pessoas sem abrigo, que dormem nas ruas da cidade.

Conheci-os a todos, pessoalmente, porque ganhavam uns trocos como arrumadores.

Dois deles já não se encontram entre nós, vítimas da toxicodependência.

Muitos eram de boas famílias, como era o caso do "Ervilha", "mundialmente" conhecido na zona dos Guindais, perto da Praça da Batalha.

A vida, por vezes, é muito cruel.

Deviamos ajudar esta gente.

Não doi nada
.

UM SENHOR DA MÚSICA PORTUGUESA

quarta-feira, 24 de junho de 2009

FUGINDO DO TEMPO




Tenho andado para vir aqui e, não sei porquê, não me tem apetecido fazê-lo.

Está certo que a minha vida profissional ultimamente tem andado muito complicada, mas não era motivo para eu me alhear desta forma, daquilo que criei com tanto gosto e que é este meu Blog.

Agora tenho passado mais tempo no Norte do País, do que no Barreiro e Sesimbra e começo a ressentir-me desse facto, não fosse eu uma moçoila amante daquelas duas localidades. Barreiro porque tenho a casa que foi dos meus avós e tenho primos, tios e sobrinhos que ali nasceram e vivem, ainda hoje. Sesimbra porque gosto imenso de fazer mergulho e o Portinho da Arrábida tem condições excepcionais para a prática desta modalidade.

Quando posso, é ver-me de equipamento a postos, em direcção ao mar de Sesimbra, onde passo horas inesquecíveis, sozinha.

Tenho seguido de perto o que se passa aqui no Barreiro e posso dizer que fiquei surpreendida com a demissão do Dr. Cabós Gonçalves, do Partido Socialista.

Não vou tecer comentários, por agora, mas pareceu-me ser uma decisão acertada, porque este Partido Socialista que o Sócrates agora quer impingir, nada tem a haver com os ideais que levaram à sua fundação.

Este Partido Socialista, é elitista, perdeu o seu filtro ético e redundou num clube de interesses privados e subjectivos que servem tudo, menos a "res publica".

Hoje vou ficar por aqui.

Por estes dias virei até cá, novamente, para dar-vos conta de algumas coisas que me estão atravessadas na garganta.

Nomeadamente, uma visita que tive há alguns dias, num dos meus locais de trabalho.

Até lá, desejo a todos, dias felizes.