sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O MAIOR POLÍTICO PORTUGUÊS DE TODOS OS TEMPOS



Francisco Manuel Lumbralles de Sá Carneiro nasceu no Porto a 19 de Julho de 1934.

Cresceu no seio de uma família da alta burguesia. Aos 22 anos concluiu o curso de Direito na Universidade de Lisboa, e principiou a sua vida profissional exercendo advocacia. Católico praticante, frequentou os círculos mais progressistas da Igreja. Foi aqui que começou a defender publicamente a transformação do regime numa democracia parlamentar.

Em 1969, foi eleito deputado pelas listas da Acção Nacional Popular, o partido único, à Assembleia Nacional em nome da defesa dos direitos do homem, da instauração de um regime democrático e da efectivação das liberdades públicas.

Sá Carneiro foi um dos membros destacados da ala liberal do Parlamento, durante a “primavera marcelista”. Tomou iniciativas que tinham como objectivo a criação de uma democracia típica da Europa Ocidental. Colaborou com Mota Amaral na elaboração de um projecto de revisão constitucional, apresentado em 1970. Percebendo que não atingiria os seus fins, preferiu renunciar ao mandato de deputado, a 2 de Fevereiro de 1973.

Destacou-se após este período a sua coluna no jornal Expresso "Vistos", cuja publicação foi rareando, por crescentes dificuldades impostas pela censura.

Nesse mesmo ano, a sua vida pessoal enfrentou um terramoto. Conheceu, num restaurante de Lisboa, a editora dinamarquesa Snu Abecassis. Apaixonaram-se imediatamente. Contra tudo e contra todos, Sá Carneiro não abdicou da promessa daquele amor. Decidiu não respeitar o protocolo da época e rompeu um casamento de décadas. Foi, de alguma forma, um revolucionário no amor. Para a sociedade de então, foi um escândalo. Para o publicitário Manuel Margarido, Sá Carneiro fez uma ruptura “extraordinariamente revolucionária”. Provou que o amor pode revelar-nos.

Em Maio de 1974, com Francisco Pinto Balsemão e José Magalhães Mota, fundou o Partido Popular Democrata (PPD) e assumiu as funções de Secretário Geral. Nomeado Ministro sem pasta em diversos governos provisórios, seria eleito deputado à Assembleia Constituinte no ano seguinte e, em 1976, eleito para a I Legislatura da Assembleia da República.

Foi Ministro Adjunto do Primeiro Ministro no I Governo Provisório, chefiado por Adelino da Palma Carlos. Em 1975 foi eleito deputado à Assembleia da República, mas não chegou a exercer o mandato por motivos de saúde.

Voltou a ser eleito deputado em 1976, ano que assumiu a chefia da bancada parlamentar.

No IV Congresso do partido, em Outubro de 1976, foi eleito presidente do PPD e, em Novembro de 1977, na sequência de convulsões internas do partido, demitiu-se do cargo de presidente, mas seria reeleito no ano seguinte para desempenhar a mesma função.

Em Janeiro de 1978, no V Congresso, no Porto, afastou-se voluntariamente de qualquer cargo directivo, tendo sido eleito para o Conselho Nacional.
Em 5 de Julho de 1979, com Freitas do Amaral, do CDS, e Ribeiro Teles, do PPM (além dos Reformadores) forma a Aliança Democrática, que lidera com o objectivo de derrotar a "maioria de esquerda" nas eleições legislativas intercalares de Dezembro de 79, após a dissolução da Assembleia da República.

A coligação vence as eleições legislativas desse ano com maioria absoluta. Dispondo de uma ampla maioria a apoiá-lo, a maior coligação governamental até então desde o 25 de Abril, foi chamado pelo Presidente da República Ramalho Eanes para liderar o novo executivo, tendo sido nomeado Primeiro-Ministro a 3 de Janeiro de 1980, sucedendo assim a Maria de Lurdes Pintasilgo.

Sá Carneiro não concorda com a recandidatura de Ramalho Eanes e afirma que se demitirá do cargo de Primeiro Ministro, caso este seja eleito. A Aliança Democrática apoia o general Soares Carneiro.

Francisco Sá Carneiro morreu na noite de 4 de Dezembro de 1980, em circunstâncias trágicas e nunca completamente esclarecidas, quando o avião no qual seguia se despenhou em Camarate, pouco depois da descolagem do aeroporto de Lisboa, quando se dirigia ao Porto, para participar num comício de apoio ao candidato presidencial da coligação, o General António Soares Carneiro. Juntamente com ele faleceu o Ministro da Defesa, o democrata-cristão Adelino Amaro da Costa, bem como a sua companheira Snu Abecassis, para além de assessores, piloto e co-piloto e da própria esposa do Ministro da Defesa.

Francisco Sá Carneiro conseguiu conciliar inúmeras características, todas elas raras num governante português. Sá Carneiro gostava do poder. Lutava por ele e nessa luta dava tudo o que tinha. Arriscava. Avançava e recuava. Baralhava os adversários e surpreendia os aliados. Tinha um projecto em mente, mas adaptava a estratégia de acordo com a maré do momento. Era um animal político excepcional. A juntar-se a esta inestimável qualidade, Sá Carneiro não queria o poder pelo poder, mas com o intuito de o usar para os fins que considerava dignos.

Foi um dos políticos mais marcantes do século XX português. A luta pela democracia norteou-lhe a vida. Foi um herói romântico que desafiou os preconceitos da sociedade onde vivia.

Era um homem com fortes convicções e um enigmático carisma. O seu entusiasmo contagiava. Fez parte do restrito lote de políticos que foram admirados por amigos e adversários. Assumiu com frontalidade a sua visão para o País. De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, o seu objectivo era “a construção de um estado democrático integrado na Europa”. Foi um elo entre dois mundos: espalhou a utopia de um país livre e recebeu apoio amplo da comunidade nacional.

A acção política de Francisco Sá Carneiro durou apenas uma década, mas deixou marca. Foi o “fundador da direita democrática”, afirma António Costa Pinto, professor do Instituto de Ciências Sociais. Nunca teve receio de rupturas. Em nome de um Portugal moderno e democrático.

Sá Carneiro foi autor de várias obras, das quais se destacam:
- Uma Tentativa de Participação Política (1973);
- Por uma Social-Democracia (1975);
- Poder Civil, Autoridade Democrática e Social-Democracia (1975);
- Uma Constituição para os Anos 80: Contributo para um Projecto de Revisão (1979).

Para avaliarmos o seu pensamento, no seu primeiro discurso político,proferido numa sessão de propaganda eleitoral em Matosinhos em 12 de Outubro de 1969, Sá Carneiro afirmou: “Desde a educação e futuro dos nossos filhos às nossas próprias condições de trabalho e de vida, desde a liberdade de ideias à liberdade física, aquilo que pensamos e queremos coloca-nos directamente ante a política: seja em oposição frontal à seguida por determinado Governo, seja de simples desacordo, seja de apoio franco. Porque somos homens, seres inteligentes e livres chamados a lutar pela realização desses dons na vida, formamos a nossa opinião e exprimimos as nossas ideias, pelo menos no círculo de pessoas que nos cercam. Mas se nos limitarmos a isso, se nos demitirmos da intervenção activa, não passaremos de desportistas de bancada, ou melhor, de políticos de café. Creio que, se todos quisermos, podemos eficazmente aproveitar a oportunidade que nos é dada de obter as reformas necessárias sem quebra da ordem pública, sem atropelos das consciências, nem violências sobre as pessoas.”

Era um verdadeiro homem de Estado.

Se fosse vivo, teria 75 anos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"MAMA SUMAE"

Para todos os que lá estiveram, uma homenagem sincera da minha parte, esperando que a vida lhes sorria sempre, como prémio pelo seu sentido patriótico e pelos altos valores que sempre prosseguiram, sem obter nada em troca.

Outros houve que fugiram.

Um Bem Haja para todos aqueles que fizeram da coragem a sua fortuna.

"AUDACES FORTUNA JUVAT".

domingo, 29 de novembro de 2009

CONTAGEM DECRESCENTE


A partir deste momento começou a contagem decrescente para as minhas ansiadas férias de Natal.

O tempo corre vertiginosamente e parece que ainda ontem regressei das férias de Verão.

Este ano, se a Gripe A não pregar nenhuma partida ao pessoal, vão ser uns dias de preguiça, que se prolongarão até ao início de 2010.

O local já está escolhido.

Vou pedir ao Pai Natal que me ponha o Marcos Perestrello e o Aguiar Branco, no sapatinho, vestidinhos como os mecinhos da foto.

sábado, 28 de novembro de 2009

VOLUNTARIADO


Nos dias que correm a pobreza é extensa e toda a ajuda é pouca, para colmatar todas as necessidades.

Quando posso, tiro alguns momentos aos meus tempos de lazer, e tento sempre contribuir para que algumas pessoas possam ter um mundo melhor.

Como eu, outras pessoas há, que assim fazem, mas são muito poucas para um universo tão grande de carências sociais.

A nossa sociedade está cada vez mais pobre e as pessoas cada vez mais insolventes.

Nesta minha actividade, tenho reparado que da parte das juventudes partidárias, existe muito pouca solidariedade. Aliás, nunca tive o prazer de ver nenhum jovem pertencente a este ou àquele partido, a dar um pouco de si próprio, àqueles que tanto necessitam. Muitas vezes, basta só um toque cúmplice, um sorriso, um olhar de atenção.

Faço aqui um apelo: que cada jovem "adopte" um idoso. E adoptar um idoso, não quer dizer que tenha de o levar para casa. Basta apenas visitá-lo, conversar com ele e, se possível, ficar atento às suas necessidades mais prementes e tentar ajudar a resolvê-las junto das entidades competentes.

Da mesma forma, há doentes crónicos, nos hospitais, internados há meses, que nunca tiveram alguém que se chegasse perto de si e lhes sorrisse, ou porque não têm ninguém e vivem sós, ou a vida se encarregou de os excluir do convívio da família.

Lamento que as nossas juventudes partidárias não sejam sensíveis a este problema da exclusão social.

Gostaria de ver muitos mais jovens empenhados nesta missão.

Não doi nada!

"CONTOS PROIBIDOS" - POR QUE "DESAPARECERAM" O LIVRO E O AUTOR?



" Mas o que continha o livro afinal? Qual o motivo para as desaparições? Retomando a síntese de Vieira, que o analisou a fundo, Rui Mateus diz que Mário Soares, "após ganhar as primeiras presidenciais, em 1986, fundou com alguns amigos políticos um grupo empresarial destinado a usar fundos financeiros remanescentes da campanha. (...) Que, não podendo presidir ao grupo por questões óbvias, Soares colocou os amigos como testas-de-ferro".

O investigador Bernardo Pires de Lima também leu o livro e conserva um exemplar. "Parece-me evidente que desapareceu de circulação rapidamente por ser um documento incómodo para muita gente, sobretudo altas figuras do PS, metidas numa teia de tráfico de influências complicada que o livro não se recusa a revelar com documentos", observa.

A obra consta de dez capítulos e 47 anexos. Ao todo, 455 páginas que arrancam na infância do autor, percorrem o primeiro quarto de século do PS (desde as origens na clandestinidade da Acção Socialista) e acabam em 1995, perto do final do segundo mandato de Soares. Na introdução, Mateus escreve: "É um livro de memórias em redor do Partido Socialista, duma perspectiva das suas relações internacionais, que eu dirigira durante mais de uma década."

Os últimos três capítulos abordam o caso Emaudio - um escândalo rebentado pelo próprio Mateus e que motivou a escrita de "Contos proibidos" para "repor a verdade". Para Joaquim Vieira e Bernardo Pires de Lima, a credibilidade do livro é de oito sobre dez. "O livro adianta imensos detalhes que reforçam a sua credibilidade e nenhum deles foi alguma vez desmentido", argumenta o jornalista e actual presidente do Observatório da Imprensa.

Vieira lamenta o "impacto político nulo e nenhuns efeitos" das revelações de Mateus. "Em vez de investigar práticas porventura ilícitas de um chefe de Estado, os jornalistas preferiram crucificar o autor pela 'traição' a Soares." Apesar de, na estreia, terem tido todas as coberturas, livro e autor caíram rapidamente no esquecimento. Hoje, a obra pulula na internet em versão PDF."

Diz o Artigo de Baptista Bastos, no DN, sobre o polémico livro:


" Rui Mateus - Contos Proibidos

Ler "Contos Proibidos: Memórias de um PS desconhecido", de Rui Mateus, - fundador e ex-responsável pelas relações internacionais do PS, até 1986 - faz-nos perceber como é diferente a justiça em Portugal e noutros países da Europa.

Escrito em 1996, este livro é um retrato da personalidade de Mário Soares, antes e depois do 25 de Abril. Com laivos de ajuste de contas entre o autor e demais protagonistas socialistas, são abordados, entre outros assuntos, as dinâmicas de apoio internacional ao Partido Socialista e, em particular, a Soares, vindos de países como os EUA, Suécia, Itália, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Líbia, Noruega, Áustria ou Espanha.

Soares é descrito como alguém que «tinha uma poderosa rede de influências sobre o aparelho de Estado através da colocação de amigos fiéis em postos-chaves, escolhidos não tanto pela competência mas porque podem permitir a Soares controlar aquilo que ele, efectivamente, nunca descentralizará - o poder» (pp.151-152); «para ele, o Partido Socialista não era um instrumento de transformação do País baseado num ideal generoso, mas sim uma máquina de promoção pessoal» (p.229); e como detendo «duas faces: a do Mário Soares afável, solidário e generoso e a outra, a do arrogante, egocêntrico e autoritário» (p.237).

A teia montada em torno de Soares, com um cunhado como tesoureiro do partido, e as lutas internas fratricidas entre novos/velhos militantes (Zenha, Sampaio, Guterres, Cravinho, Arons de Carvalho, etc.), que constantemente ameaçavam a primazia e o protagonismo a Soares, são descritos com minúcia em /Contos Proibidos/.

Grande parte dos líderes da rede socialista internacional - uma poderosa rede de "entreajuda" europeia que, em boa verdade, só começou a render ao PS depois dos EUA, sobretudo com Carlucci, terem dado o passo decisivo de auxílio a Portugal - foi mais tarde levada à barra dos tribunais e muitos deles condenados, como Bettino Craxi de Itália, envolvidos em escândalos, como Willy Brandt, da Alemanha, ou assassinados como o sueco Olaf Palme.

Seria interessante todos lermos este livro. Relê-lo já será difícil, a não ser que alguém possua esta raridade.

O livro foi rapidamente retirado de mercado após a curta celeuma que causou (há quem diga que "alguém" comprou toda a edição) e de Rui Mateus pouco ou nada se sabe.


"Há 30 anos que desfilam as mesmas caras, se ouvem as mesmas vozes, se lêem as mesmas frases com monótona aridez. O País é domado por um grupo sem prestígio mas com poder".

Baptista-Bastos, "Diário de Notícias", 29-04-2009".


Quando estive na Noruega, ouvi dizer que Rui Mateus emigrou para a Suécia onde vive até hoje.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"A FACE OCULTA"



Mário Soares, escreveu no passado dia 17 de Novembro, na sua habitual crónica de “opinião”, no DN:

" Não acabou ainda o caso Freeport, embora já esteja encerrado pela justiça inglesa, e já rebentou, de forma a quase não se falar de mais nada, em todos os meios de comunicação social, a “Operação Face Oculta”. Reconheçamos que são curiosos o espírito inventivo e o esmero com que a Polícia Judiciária ou o Ministério Público (não sei a quem atribuir a paternidade) dão nome aos escândalos que investigam… Outras operações do género, como por exemplo a “Operação Furacão”, depois dos escândalos das devassas a importantes bancos e outras empresas a que deu lugar – largamente divulgadas -, ficou tudo, como se diz, em águas de bacalhau… Com o mesmo mistério com que surgiram, desapareceram, até agora, sem deixarem rasto. Porquê? Ninguém sabe.
No caso vertente, a “Operação Face Oculta” parece ser… a da justiça."


Mário Soares está habituado a que, em relação ao seu partido, tudo fique efectivamente em “águas de bacalhau”. Desde os casos passados em Macau até ao “Face Oculta”, que ele já adivinha não vir a ter quaisquer consequências.

Ele lá sabe e nós também.

De resto, nestes tempos de "gloriosa democracia”, por que motivo não tenho acesso – em democracia, repito - ao livro de Rui Mateus, "Memórias de um PS Desconhecido"?

Não conheço detalhadamente o conteúdo do livro, não dou razão nem ao PS/Soares nem a Rui Mateus, mas gostaria de poder ler este trabalho sem ter de recorrer a sites onde apenas posso ler excertos da obra.

Quem irá reeditá-lo?

domingo, 22 de novembro de 2009

TENHO A CERTEZA



Que se o Presidente da República Portuguesa fosse outro, neste momento José Sócrates e "sus muchachos" já estariam a enviar curricula para tudo quanto é sítio, à procura de emprego.

sábado, 21 de novembro de 2009

R.I.P.



A Blogosfera perdeu, hoje, um dos seus melhores bloggers portugueses.

A voz do "Tomar Partido", calou-se, para sempre.

Era um homem de convicções, muito acima de qualquer barganha.

Que descanse em paz!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"INNUENDO"


Hoje apeteceu-me cantar. Já há uns tempos que não o fazia.

A última vez foi em Julho, no casamento da D.ª Mimi. Cantei durante a missa e também dei o ar da minha graça, durante o copo de água, juntamente com o grupo de lateiros e lateiras que fazem o favor de ser meus amigos, desde os tempos de Faculdade.

Às vezes sou como que compelida a fazê-lo, sem que tenha plena consciência disso.

Hoje foi um desses dias. Apeteceu-me invadir a Igreja e satisfazer aquele estranho desejo.

O Padre Manuel não estava, mas eu atraquei-me ao orgão como se fosse a última coisa que ia fazer hoje e comecei a cantoria, para espantar aquele mal que de vez em quando me assalta de mansinho.

A Igreja estava feérica, iluminada apenas por alguns círios e uma luz ténue, proveniente de uma das janelas da sacristia.

Não estava mais ninguém.

Só eu.

Comecei por uma Avé-Maria muito tímida, que se foi elevando ao sabor dos sentimentos.

Quando canto a Avé-Maria, sinto-me como que rodeada por algo que não sei explicar. É uma paz, uma tranquilidade, um sentir que existe qualquer coisa para além de nós, que vale e vincula independentemente daquilo que possamos sentir.

No calor da emoção, dei conta que Ele estava ali. Observava-me de pé, sereno, olhando-me com os Seus olhos azuis, como se fossem lagos.

As Suas vestes brancas adejavam e aquele olhar tão doce, debruçado sobre mim, dizia-me que não era a mim que vinha buscar.

"Só vim ouvir-te cantar", disse-me Ele, ternamente.

Acordei sobressaltada com o Padre Manuel a chamar por mim. Tinha adormecido na Igreja, enquanto esperava por ele, para combinarmos a festa do Presépio de Natal.

Senti um vazio enorme a rasgar-me o peito.

Eu estava preparada.

Mas Ele não me quis.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O CHICO


Hoje cheguei um pouco mais cedo a casa.

Como sempre que há futebol, a turma da noite sofreu uma diminuição drástica. Dos alunos habituais, apenas cinco se dispuseram a assistir à aula. Tentei indagar o motivo e fiquei a saber que esta noite jogava o Guimarães com o Sporting.

Kaneko, pensei eu. A tradição já não é o que era. Se fosse um Benfica-Porto, eu ainda podia fazer um esforço para relevar o absentismo, mas assim...

Claro que dei a aula na mesma, só que terminei mais cedo, tendo em conta que cinco alunos não é a mesma coisa que cinquenta e que, na próxima aula, já sei que vou ter de repetir o que já dei, porque sou um coração de manteiga. Deixo-me comover facilmente quando o argumento é futebol. Se o meu Benfica jogasse hoje com o Porto, podem ter a certeza que não ia haver aula para ninguém, porque o Benfica é uma nação.

Cheguei a casa, jantei, e como não me apetecia fazer nada, resolvi pegar nas muitas caixas de fotografias que precisam de ser catalogadas e organizadas. Com esta coisa de trabalhar em vários sítios e querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo, nem tenho tido pachorra para me dedicar, um pouco, às minhas recordações.

No meio dessas fotos, encontrei a foto do Chico, um chimpanzé porcalhão que fazia as delícias de miúdos e graúdos, na Roça Lucola, em Cabinda.

Os militares que lá estavam colocados, puseram-lhe a alcunha de "Houdini", porque o fulano desaparecia estrategicamente, sempre que fazia maldades. E as maldades dele, normalmente, eram grandes e malcheirosos cócós, em sítios inimagináveis.

Sinto imensas saudades de Cabinda e das suas travessuras.

domingo, 25 de outubro de 2009

"NIGHTS IN WHITE SATIN" - FOTO GENTILMENTE GAMADA AO JOÃO NUNES



Este fim de semana vim passá-lo ao Nordeste Transmontano, a convite da D.ª Mimi. Não fiquei em sua casa, porque não gosto de incomodar ninguém. Preferi ficar na mesma casa de turismo de habitação, onde costumo alojar-me, sempre que venho para estes lados. O motivo é simples: tenho o hábito de andar pela casa, durante a noite, e deito-me sempre muito tarde, porque leio até altas horas da madrugada. A Dª. Mimi só conseguiria dormir depois de me saber a descansar e eu não quero que ela fique de plantão, por minha causa.

Eu não queria vir, mas ela tanto insistiu que eu lá vim, embora um pouco contrariada, porque o trabalho aperta e eu não tenho o dom da ubiquidade.

Hoje muda a hora e, não sei por que motivo, não me apetece dormir. Já fui dar uma volta a pé pela aldeia, tomei café em casa de uns amigos que me convidaram e que queriam à viva força que eu provasse "um cheirinho" misturado com o precioso líquido.

Claro que recusei, porque de certeza que depois já não iria acertar com o caminho de volta ao sítio onde estou hospedada.

A aldeia está silenciosa. Ao longe vejo uma luz bruxuleante numa janela e penso, não sei porquê, que alguém estará neste momento a despedir-se do mundo. Parece aquela luz que alumia os mortos, que lhes mostra o caminho que deverão seguir, sem olhar para trás.

Vem-me à memória aquela noite e o recém-nascido africano, que morreu serenamente, parido no chão de uma cubata, em terras distantes de África.

A luz era a mesma.

A tristeza era igual.

domingo, 11 de outubro de 2009

UM BOM PRESIDENTE

terça-feira, 6 de outubro de 2009

CONSTATAÇÕES



Confesso que ultimamente tenho andado muito preocupada com o meu Bizinho do peito.

Faz tempo que não tomo chá com ele, apesar de, de vez em quando, me assomar à sua janela, assim, como quem não quer a coisa, para cuscar o que vai lá por casa.

Desde que mandou gradear as portas e as janelas, que me tenho limitado apenas a passar à sua porta, sem bater, nem chamar por ele.

Vi que pendurou, na parede, algumas das mais belas obras do Senhor Dom Carlos I, nosso muito Ilustre Rei, barbaramente assassinado por meia dúzia de malfeitores e fiquei surpreendida, pois não lhe conhecia aquela vertente monárquica.

E digo que estou preocupada com ele, porque ele tem ousado comentar, nos seus posts, as figuras dos candidatos e candidatas, naqueles cartazes que poluem o nosso horizonte visual e nos fazem ficar com um nó no estômago, principalmente quando, logo pela manhã, abrimos a janela do nosso quarto e deparamos com aquelas caras, todas à uma, a olhar para nós, como que a gozar connosco e a chamar-nos parvos. Isso tem-me acontecido aos fins de semana, quando vou ao Barreiro e fico na minha casa do Barreiro Velho.

Os tais "self made men" e as "women" não sei das quantas, a intriguista, o labrego e o outro do blazer "azulón", fazem-me antever que, mais dia, menos dia, o meu amigo Conde do Barreiro Velho, também irá receber uma chamadinha de um caceteiro aboletado num qualquer gabinete de Lisboa, que lhe prometerá, via telefone, o maior arraial de porrada de que há memória na cidade do Barreiro.

Bizinho, estou solidária consigo, no caso de o mafioso resolver atacar para os seus lados, em defesa da sua dama.

Estão tão desesperados que perderam completamente o tino e a decência.

Eu, à cautela, já soltei o meu rasteirinho no quintal.

Depois não digam que não avisei.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

REI D. CARLOS I (1863-1908) - VIVA O REI!



Rei da quarta dinastia e 13° Rei de Portugal, filho primogénito do Rei D. Luís I e da Rainha D. Maria Pia, nasceu em Lisboa em 28/09/1863.

Foi baptizado com o nome de Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo Gota.

Em 1886, casa-se com Maria Amélia de Orleans, princesa de França. Em 1888, publica A Defesa do Porto de Lisboa e a Nossa Marinha de Guerra.

Quando subiu ao trono em 1889 (por morte do pai, a 19 de Outubro), o país atravessava uma grave crise económica.

Para complicar a situação, em Janeiro de 1890 os portugueses sofreram um vexame: o “Ultimato Inglês”, no qual a Inglaterra exigia que o governo português mandasse retirar os exércitos que se encontravam entre as colónias de Angola e Moçambique, caso contrário declararia guerra ao país.

O governo cedeu. Os portugueses sentiram-se humilhados e atribuíram as culpas à incapacidade política do rei. Os republicanos aproveitaram esta oportunidade para reforçar a ideia de que a monarquia devia ser derrubada.

Houve por todo o país muitas manifestações contra o “Ultimato” e os jornais encheram-se de artigos violentos contra a Inglaterra, contra o rei e contra a monarquia. Foi nessa época que apareceu um hino militar “A Portuguesa”, hoje, Hino Nacional.

Em 1901, ele participa nos funerais da Rainha Vitória de Inglaterra.

No dia 01/02/1908, em um atentado contra a monarquia, Dom Carlos I tomba assassinado, juntamente com o seu sucessor, o infante Dom Luís, restando como descendente o seu segundo filho que seria o último Rei de Portugal: Dom Manuel II.

Esta história termina em Lisboa, no dia 05/10/1910, quando foi proclamada a República por Eusébio Leão, membro do Directório do PRP – Partido Republicano Português (com actuações relevantes do comandante Machado Santos, do PRP e da Carbonária Portuguesa – representante do povo português), pondo fim aos 270 anos da Dinastia de Bragança.

Dom Carlos foi um grande Rei, reformador, poeta, pintor, desenhador, músico, cientista, ictiologista.

Teve de ser morto pelos anarquistas, porque de outra forma nunca se faria a República tão cedo, pois ele era muito amado pelo Povo, tanto de Portugal como do Brasil, onde abriu os Portos à navegação Atlântica.

Assim se destruiu uma Nação.

sábado, 3 de outubro de 2009

SER IGNORANTE, É SER ESTÚPIDO



Confesso que a ignorância demonstrada por algumas pessoas do nosso povo, me atinge e deixa estupefacta.

Não podemos impedir ninguém de ser estúpido, mas quando essa ignorância afecta terceiros e os discrimina, de uma forma desumana, já o caso muda de figura e deve ser denunciado.

Nos meus poucos tempos livres, faço voluntariado em várias Associações e uma delas dá apoio a pessoas que estão infectadas com o vírus da Hepatite.

A dita Associação está instalada num andar de um prédio de habitação.

Por esse facto os moradores desse prédio resolveram fazer um abaixo assinado, porque a "Associação está instalada na cave e os infectados usam o corrimão". Entre outras coisas alegam que há uma moradora que tem uma filha com três anos, que leva a vida a meter tudo na boca e que há muita gente de idade que usa o corrimão.

As pessoas não sabem o que é hepatite. Não sabem que quem trabalha com pessoas que têm essa doença, que as abraçam, que comem ao seu lado, que manipulam objectos que estiveram nas suas mãos, não serão, por isso, contaminadas.

É este tipo de ignorância que me enoja.

É este tipo de discriminação que me leva ao vómito.

O que é que aqueles moradores querem?

Que sejam feitos campos de concentração, como havia em outros tempos, para os leprosos, para os afastarmos da sociedade?

Se não fosse tão triste, seria cómico.

Mas eu já há muito tempo que perdi a vontade de me rir com tanta estupidez.