segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CORAÇÃO GELADO


Hoje nevou por estes lados.

Está muito frio.

E chove também.

Estou com medo daquilo em que me tornei.

Fria e distante.

Tenho dois fígados.

Um, no lugar do coração.

Outro, no sítio onde é o lugar dele.

Quando, na realidade, sempre procurei amar o próximo.

sábado, 27 de novembro de 2010

A KATYZINHA



A moçoila gosta de arrotar, é de Penafiel e existe mesmo.

Ora oiçam com atenção, o que ela tem para nos dizer.

Uma Pérola!

PARABÉNS MARINHO PINTO



Foi reeleito Bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses, com 9.532 votos de um total de 20.521 votantes.

Fragoso Marques ficou em segundo, com 5.991 votos e Luis Filipe Carvalho em terceiro, com 3.666.

Espero que continue a fazer ouvir a sua voz contra os corruptos deste País, e que nunca se cale, nem dê tréguas aos oportunistas do regime.

OS DEMAGOGOS


Nestes últimos dias tenho-me insurgido à brava, contra essa história de a classe política ter resolvido instituír e comemorar o dia internacional contra a violência perpetrada sobre as mulheres.

Ora não é só ao dia 25 de Novembro que as mulheres que são vítimas de maus tratos, violência física, psicológica ou sexual, precisam de ajuda e que se fale delas.

Todos os dias há dezenas de mulheres que são ameaçadas, agredidas, vilipendiadas, abusadas e até assassinadas, não só pelos maridos, amantes ou companheiros, mas também por desconhecidos que têm orgasmos quando ameaçam ou batem em mulheres.

Este é um tema recorrente em muitos dos meus "posts" e artigos e nunca esperei por dias marcados, para vir à liça condenar aquilo que sempre achei abominável e que é o facto de um homem ameaçar ou agredir uma mulher.

Também há mulheres que batem em homens, eu sei. Conheço alguns casos que estão em Tribunal, em que eles ficaram muito maltratados (abençoadas mulheres!). Mas, curiosamente, porque quem começou a agressão foram eles e não contavam obter a correspondente resposta à altura: uma panela de pressão pelos cornos abaixo, ou um ferro de engomar bem quente, atirado com uma bela pontaria, situação resultante de anos de sofrimento e de maus tratos. Legitima defesa, pois claro!

O caricato da questão, foi ver alguns políticos ranhosos, que gostam de ameaçar e de agredir o próximo, a substituir no facebook, nos dias 25 e 26 de Novembro, as suas próprias fotografias por fotos de mulheres marcadas pelas agressões, sem qualquer moralidade, num gesto de ridícula e total demagogia, feita à maneira, só porque querem parecer aquilo que não são, nem nunca hão-de ser, pela sua total incapacidade intelectual e falta de vergonha.

Nunca vi aqueles "filhos de uma mãe franquiada", a fazer o que quer que fosse, para acabar com o flagelo. Têm a faca e o queijo na mão para mudar a legislação e tornar as penas mais pesadas e não o fazem.

Ao invés, instituem um dia para chorar lágrimas de crocodilo por uma coisa para a qual se estão cagando de alto.

Espancadores de mulheres deste País: esta corja de inconsequentes, que anda no Facebook, quer que vocês, antes de começarem a malhar no lombo do vosso saco de porrada, vão comprar um ramo de rosas vermelhas, para lhe oferecer depois.

É de bom tom, para comemorar a data e para eles poderem anunciar na sua página pessoal, que gostam de violência contra as mulheres.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

FOI O HENRIQUE NETO QUE DISSE



«05/11/2010


por Paulo Anjos


Pois foi. Mas lá está. O senhor já tem uma certa idade, é rico e pode dizer o que lhe dá na gana. Além disso, está reformado e quer é ler uns bons livros e divertir-se. Foi ele que disse. E por isso também se dá ao luxo de dizer alto o que muita gente do PS diz baixinho. Pelo menos enquanto o Sócrates for primeiro ministro.

E o que foi que ele disse? Leiam, então, a parte final da entrevista que ele deu hoje à Anabela Mota Ribeiro, no Jornal Económico:

Porque é que tem pó ao Sócrates?
Uma vez, fui a um debate em Peniche, conhecia o Sócrates de vista. Isto antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei: “Este gajo não percebe nada disto”. Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe [riso]. Eu, que nunca tinha ouvido o homem falar, pensei: “Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis”. Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis.

Esse é um dos nomes mais simpáticos que lhe chama, chama-lhe outros piores.
Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita gente de qualidade. Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o Sócrates só podia dar asneira.

Nos últimos tempos, a sua voz é das mais críticas no PS, e o desdém com que fala dele faz-me perguntar se a questão tem uma raiz emocional.
Faço uma explicação: gosto muito de Portugal – se tiver uma paixão é Portugal – e não gosto de ninguém que dê cabo dele. O Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto. Entre o mal que faz e o bem que faz, com o Sócrates, a relação é desastrada. O Soares também fez muito mal ao País, mas também fez muito bem; se calhar até fez mais bem do que mal.

A maneira como se envolve e se empenha cada vez que fala de Sócrates, faz perceber que há ali uma motivação que é epidérmica, que não é uma coisa só racional.
Não. Há caras de que gostamos mais e outras menos, mas não me pesa assim tanto. Além do facto de que estou convencido de que ele não é sério, também noutros campos. Conheci a vida privada do Sócrates, ele casou com uma moça de Leiria, de quem conheço a família. Sou amigo do pai dela, que foi o meu arquitecto para a casa de São Pedro de Moel. Esta pequena decoração que vê aqui [em casa] foi feita pela cunhada do Sócrates. Às vezes compro umas pinturas que a mãe delas faz. Nunca fui próximo da família, mas tenho boas relações. Não mereciam o Sócrates. Portanto, sei quem é o Sócrates num ambiente familiar. Sei que é um indivíduo que teve uma infância complicada, que é inseguro por força disso, que cobre a sua insegurança com a arrogância e com aquelas crispações. Mas um País não pode sofrer de coisas dessas.

Permite-se dizer todas as coisas que diz acerca de Sócrates porque tem esta idade e porque tem o dinheiro que tem?
Não tenho muito dinheiro.

Há essa ideia, sobretudo depois de ter vendido a sua participação na Iberomoldes.
Quase dei. Não queria morrer empresário. Tenho para ir vivendo, não tenho assim tanto dinheiro. Também não posso ser tão inocente… O problema é que também estava convencido de que a indústria portuguesa vai toda para o galheiro. Com os erros que estamos todos a cometer, só por milagre é que algum sector vai sobreviver. Se estou convencido disso o melhor é não fazer parte do problema, especialmente nesta fase da minha vida. Tenho a minha independência económica.

Não depende.
Sempre fui assim. Escrevi uma carta ao Guterres, que foi publicada, em que lhe disse coisas que digo do Sócrates.

Foi deputado na governação de Guterres.
Era deputado quando escrevi a carta, era da comissão política do Partido Socialista. Foi na fase de Pina Moura e daqueles descalabros todos. Na comissão política, estão publicadas algumas dessas coisas, [sobre] os negócios do Jorge Coelho e do Pina Moura. Depois de ter falado disso tudo em duas ou três reuniões e não ter acontecido nada, escrevi uma carta e mandei ao Guterres. Ele distribuiu a carta. No outro dia veio nos jornais. Era uma carta duríssima. Os problemas eram os mesmos, estávamos a caminhar mal, estávamos a enganar os portugueses, a dizer que a economia estava na maior, quando não era verdade. Na altura já falava com o Medina Carreira e ele já falava comigo.

Está a dizer-me que sempre se permitiu dizer tudo.
Sim. E tinha a empresa. Quando o Pina Moura foi ministro das Finanças, uma senhora das Finanças instalou-se lá na empresa. Nunca contei isto. Encontrava-a no elevador, nunca falei com ela, “bom dia sra. Dra”. Mas os meus homens contavam-me. Andou à procura, à procura, à procura como uma doida. Esteve lá alguns dois anos. As coisas não são impunes, a gente paga-as neste mundo. Disse o que quis do Pina Moura, da maioria desses gajos; era natural que se defendessem. Os seus colegas jornalistas muitas vezes foram ao Pina Moura com o que eu disse; e ele: “Não comento”. O Guterres também não comentava, e o Sócrates também não comenta. Aliás, quando faço uma intervenção ao pé dele fica histérico, não me pergunte porquê.

Porque é que não quis acabar empresário?
Porque ser empresário hoje é ser herói. Já não tenho idade para ser herói. A economia portuguesa não está assim por acaso.

É o seu projecto de vida. Porque é que não quis continuar a trabalhar nisso que foi a sua vida?
O meu pai mudou de vida várias vezes. Por exemplo, emigrou para trabalhar na Alemanha com quase 70 anos e não foi por estar com fome. Devo ter alguma coisa da irrequietude do meu pai. Por outro lado, trabalhei e descontei para a Segurança Social durante 59 anos, sinto que cumpri a minha obrigação com o País. Fiz coisas interessantes, o grupo Iberomoldes é um grupo empresarial muito estimulante e inovador; mas tudo na vida tem um princípio e deve ter um fim. Éramos dois sócios com 50% cada – o que nem sempre é fácil – e na fase final da sociedade fui confrontado com alguns problemas inesperados que me desagradaram e de que só tomei conhecimento demasiado tarde. Tudo junto, e porventura o facto de já não ser novo, fez-me decidir pela reforma.

Sente-se velho? Tem 74 anos.
Sim. Velho é relativo. Para fazer a vida que quero, não. Para estar lá das oito da manhã à meia-noite, e ter os problemas que uma empresa tem, os clientes…

[a gravação é retomada daí a minutos]

… Tinha na empresa um senhor que o meu sócio quis mandar embora logo no princípio, o que nunca deixei. Um bocado verrinoso, mas com uma visão crítica. Era daquelas pessoas que têm prazer em encontrar coisas mal feitas. Uma pessoa utilíssima numa organização.

É assim em relação a Portugal e ao socratismo? Tem essa veia verrinosa, gosta de apontar o que está mal feito?
Não tinha essa veia verrinosa, mas acho-a útil. Adoro a crítica. O Dr. Vareda ensinava-nos nos livros lá da biblioteca que tínhamos de ser críticos de nós próprios, dos outros, da sociedade, mas com inteligência. E ver os pontos fracos.
Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos; fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo. Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate.

Apesar da discordância, continua ligado ao PS.
A última comissão política do PS foi feita no dia em que o Sócrates anunciou estas medidas todas. Convocou a comissão política depois de sair da conferência de imprensa, para o mesmo dia, à última da hora, para ninguém ir preparado – primeira questão. Segunda questão, organizou o grupo dos seus fiéis para fazer intervenções umas a seguir às outras, a apoiar, para que não houvesse vozes discordantes. A ideia dele era que o Partido Socialista apoiasse as medidas. Fez medidas tramadas, toda a gente sabe. O mínimo era que o partido as apoiasse. Mas não falou antes. Depois o Almeida Santos fez aquilo que faz sempre: uma pessoa pode inscrever-se primeiro, mas o Almeida Santos só dá a palavra a quem acha. Os que acha que vão dizer o que não quer que digam, só vêm no fim. E no fim: “Isto está tarde, está na hora de jantar”. Isto é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria.
O Arq. Fava é maçónico, o Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-Geral da República. Utiliza-se depois as técnicas da maçonaria – não é a maçonaria – para controlar a sua verdade.
Os sucessivos governos, este em particular, pintam uma imagem cor-de-rosa da economia portuguesa. Isto é enganar as pessoas sistematicamente. Depois aparecem críticos como o Medina Carreira ou eu a chamar a atenção para a realidade do País – chamam-nos miserabilistas! E quando podem exercem pressão nos lugares onde estão esses críticos e se puderem impedir a sua promoção ou acesso aos meios de informação, não hesitam.
Isto era o que se passava antes do 25 de Abril, agora passa-se em liberdade, condicionando as pessoas, e usando o medo que têm de perder o emprego.
José Sócrates, na última Comissão Política do PS, defendeu a necessidade das severas medidas assumidas pelo Governo, mas também disse que era muito difícil cortar na despesa do Estado porque a base de apoio do PS está na Administração Pública. Disse-o lá, e pediu para isso a compreensão dos presentes. Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de todos».

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CURRICULUM "NOVAS OPORTUNIDADES"


Crido Cenhor

Kero candidatarme pro logar de ceqretária que bi no jurnal.

Eu teclo muinto de preça con um dedo e fasso contas de sumar.

Axo que sou boua ao tlefone em bora seija uma peçoa do pouvo.

Tou a arresponder au luguar de ceqretária que li no jurnal. O meu selário tá aberto há discução pra que poça ber o que me quer paguar e o Cenhor aja queu meresso.

Tenho a nha mãe entrenada no óspital mas póço cumessar imediatamente.

Agradessida em avanso pela sua resposta.

Cinceramente

A abaicho azinada
Catia Vanessa Estrela

PS: Proque o meu currico é muinto piqueno, culei uma fóto minha emssima




RESPOSTA DO EMPREGADOR:


Querida Cátia Vanessa:

Está contratada.

Nós temos corrector ortográfico.

A menina começa já amanhã.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

OS EFEITOS DA CRISE


O mentiroso cortou os abonos de família, os incentivos à natalidade, os subsídios de aleitamento e os duzentos euros por nascimento de cada bébé, a depositar em conta, até à maioridade.

O mentiroso deixou famílias inteiras na penúria, que mal têm para dar de comer às suas crianças.

O aldrabão não quer saber se os bébés portugueses têm condições mínimas de subsistência.

O vigarista é o tal que quer aumentar o IVA das fraldas, para 23%.

Por este andar, qualquer dia as famílias portuguesas terão de algaliar os seus bébés, ou arranjar outra forma mais expedita de não gastar fraldas descartáveis, que pesam muito no orçamento familiar.

Tudo por causa daquele mentiroso compulsivo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

OS TACHOS COR-DE-ROSA




Empresário: Bom dia Sr. Eng., há quanto tempo ??!!!

Ministro: Olha, olha, está tudo bem?!

Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado. Tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo.

Ministro: E que habilitações tem ele?!

Empresário: Tem o 12.º completo.

Ministro: O que sabe ele, fazer?!

Empresário: Nada. Sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!

Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor. Fica a ganhar cerca de 4000 euros, agrada-te?!

Empresário: Isso é muito dinheiro. Com a cabeça que ele tem, era uma desgraça. Não arranjas algo com um ordenado mais baixo?!

Ministro: Sim, um lugar de Secretário. Já se ganha 3000 euros!...

Empresário: Ainda é muito dinheiro. Não tens nada à volta dos 600/700 ???

Ministro: Eh pá, isso não. Para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês , dominar Informática e tem de ir a concurso!!!...

domingo, 21 de novembro de 2010

O "GRILO FALANTE"



Ele representa a "consciência" que falta ao Partido Socialista.

Socialista e Católico, conhece bem as dificuldades que o povo atravessa, com os sacrifícios impostos por um governo que se tem governado bem.

Seria muito bom que Sócrates tivesse um lampejo de dignidade e se demitisse, levando com ele a corja de incompetentes que fizeram de Portugal o penico da Europa.

Com António José Seguro tenho a certeza de que o PS recuperaria o seu filtro ético e a sua honorabilidade.

Portugal ficaria melhor "servido".

sábado, 20 de novembro de 2010

ESTE (DES)GOVERNO NO SEU MELHOR



Ministro e Secretário de Estado optaram pela mesma "cartilha".

Com uma diferença de poucas horas, ambos leram o mesmo discurso, no mesmo Congresso.

Depois vieram as velhas desculpas da troca de ficheiros.

Este acontecimento é uma pequena amostragem da qualidade de governantes que temos.

Não são eles que fazem os textos e limitam-se a ler tudo o que lhes põem à frente.

Duas vozes para um mesmo tema.

Ou será que a contenção também abrange as palavras e as ideias?

SAUDADE



A Saudade é um sentimento que não controlamos.

Ela assalta-nos de mansinho e não nos dá tréguas.

Todos nós já sentimos saudades.

Deixo aqui uma beijoka para os "meninos" e "meninas" de uma Escola do Porto, hoje adultos responsáveis, que me têm enviado mensagens de saudade de velhos tempos que já não voltam.

No dia 10 de Dezembro, lá estarei no Vosso jantar, com muito gosto.

Também tenho muitas saudades Vossas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PALAVRAS ESCRITAS


Não é segredo para ninguém, que adoro ler.

Desde muito pequenina que adquiri hábitos de leitura, incentivada pelos meus pais e avós que se deleitavam a ouvir-me ler as histórias da Condessa de Ségur e de outros autores para a minha idade.

Comecei a ler aos quatro anos, os rótulos das farinhas Nestlé e de todo o tipo de alimentação para crianças. E aos poucos, juntando as letras, cheguei a leituras mais elaboradas. Quando entrei na escola, aos seis anos, achava uma "seca" aquele livro da primeira classe, que eu já sabia ler de cor e salteado.

Em contrapartida, sofri de "analfabetismo numérico". Sempre detestei números e odiava a matemática.

Curiosamente, fui muito boa aluna a Fisíco-Química, com especial gosto pelas fórmulas e titulações.

Mas voltando aos livros, aproxima-se o Natal e, com ele, aquela história das arrumações anuais. Tenho um compartimento só para livros, onde devo ter cerca de dois mil, de vários géneros e autores. Fui juntando, juntando, e agora poderia montar uma livraria, se quisesse.

Tenho pena que os livros técnicos ultimamente me "roubem" o precioso tempo que gostaria de poder dedicar à leitura dos meus autores preferidos.

Adoro ler na cama. Antes de me deitar, vou buscar um tabuleiro com chocolate quente e natas e os biscoitos que a D.ª Mimi me manda de Trás-os-Montes, feitos por ela, que como com compota de amoras silvestres.

E assim passo até de madrugada, quando olho para o relógio e vejo que são mais do que horas de adormecer.

Entre esses livros, descobri o "Topázio" de Leon Uris, uma saga de espionagem, que inspirou o filme do mesmo nome, realizado por Alfred HitchcocK, em 1969 e lembrei-me de ti.

Lembrei-me de como gostavas de ler, chegando ao ponto de comentares os livros, sublinhando e anotando as tuas ideias e as tuas opiniões pessoais.

O teu "Topázio" estava, todo ele, "glosado" de frases flamejantes que incendiavam a nossa juventude.

Eras um intelectual promissor e eu respeitava-te por essa tua qualidade.

Na altura, quando tive de partir, pensei que irias prosseguir os teus estudos e que irias evoluir como pessoa.

Mas enganei-me.

Em vez disso, ficaste-te pelos dogmas, estagnaste no tempo e tornaste-te um "bronco".

Tenho pena.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O "CABRÃO" AO QUADRADO



Ando há alguns dias a actualizar e a gravar os telemóveis de todos os meus contactos e a passá-los para o telemóvel que uso mais vezes.

Muitos deles porque já não têm os mesmos números, outros porque se mudaram definitivamente para o estrangeiro e já não têm telemóvel português, outros porque morreram de morte verdadeira e alguns, poucos, porque morreram daquela morte causada pela indiferença e pelo desprezo.

São os tais "personas non grata" que por preguiça vamos mantendo gravados, à espera de tempo livre e de uma oportunidade para os "sanear" de vez.

Um deles tinha dois números de telefone e estava gravado na memória do telemóvel, com o "nick name" de "CabrãoI" e "CabrãoII".

Fiquei surpreendida comigo própria, pelo vernáculo utilizado, que não é muito próprio da minha maneira de ser e de estar na vida.

Antes de o eliminar de vez, não pude deixar de pensar: "Foste mesmo um grande Cabrão!".

OS LAMBE CÚS


Este "post" é dedicado aos graxistas, essa espécie de gente que todos os dias se atravessa no meu caminho e consegue dar-me vómitos e revirar-me as entranhas.

Esses fantoches amestrados que, quando querem agradar a alguém, sobretudo aos chefes, ou neste caso, às chefes, arranjam "carinhosos" diminuitivos, para "dar lustro ao cágado".

É vê-los a babar-se e a desdobrar-se em vénias e salamaleques com "Dr.ª Lurdinhas" para aqui, "Dr.ª Fátinha" para ali, "Dr.ª Guidinha" para acolá, "Dr.ª Sãozinha" para acoli.

Graças a Deus que o meu nome não se presta a ser comprimido em "inha" ou "inhas", porque assim eles nunca irão ter a ousadia de me meter no mesmo saco de "inhas".

O graxista é um ente bipolar.

Pela frente "acarinha" e, por trás (salvo seja), rata na casaca de todas as "inhas" e de alguns "inhos" também, a quem oferece presentes.

Eu estou vacinada contra eles.

Agora que se aproxima o SIADAP, dá-me um certo gozo observá-los, numa roda viva, a borboletar, desesperados, porque eu nunca deixei que alguém me transformasse em "inha".

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"DIZ O ROTO AO NÚ..."



Ramos Horta, Presidente da República de Timor Lorosae, surpreendeu tudo e todos, quando anunciou recentemente que o seu país estaria disposto a ajudar Portugal, comprando parte da dívida pública.

Voltando atrás no tempo, eu sou daquelas pessoas que hoje se sente defraudada pelo rumo que as coisas estão a tomar, em Timor-Leste, com Ramos-Horta.

Estive presente em Madrid, quando da grande manifestação em frente da Embaixada da Indonésia, no dia 12 de Setembro de 1999, contra o massacre de Santa Cruz em 1991, a favor da autonomia do povo Maubere e da independência de Timor. Integrei também o cordão humano que se formou em Lisboa, pela mesma causa, ao lado do Bispo D. Carlos Ximenes Belo.

No dia 20 de Maio de 2002, Timor viria a tornar-se independente e entraria para a História, como o país do sol nascente, o mais jovem e pobre país do Mundo, com 41% da população abaixo do limiar da pobreza absoluta.

Desde ai, nada tem sido feito para alterar esse estado de coisas. As declarações de Ramos Horta no sentido de querer ajudar Portugal, comprando a dívida pública, são caricatas, tanto mais que, pasme-se, tem cidadãos seus eleitores a passar fome e crianças comprovadamente subnutridas e doentes.

Apesar disso, teve o desplante de afirmar que é sua intenção que o país que representa, "auxilie" Portugal, quando ele próprio anda sistematicamente a mendigar auxílios de toda a natureza, na comunidade internacional, auxílios esses que não têm revertido a favor do povo timorense, uma vez que se tem constatado que há cada vez maior miséria em Timor e descarado enriquecimento ilícito por parte de membros do governo e seus próximos.

Não menos caricatas foram as suas últimas declarações, no Fórum Macau, sobre o recente Nobel da Paz, o cidadão chinês Liu Xiao Bo, dissidente preso na China, que Ramos Horta diz "desconhecer" e que, portanto, desconhecendo, não faria qualquer sentido comentar.

Foi feio, muito feio.

Boa "rolha" me saíu, este Ramos Horta!