domingo, 12 de dezembro de 2010

CUIDADO COM AS BOCAS FOLEIRAS!



Um coelhinho felpudo estava a fazer as suas necessidades matinais quando olha para o lado, e vê um enorme urso a fazer exactamente o mesmo.

O urso vira-se para ele e diz: - Hei, coelhinho, perdes pêlo?

O coelhinho, vaidoso e indignado, respondeu:

- De forma nenhuma, descendo de uma linhagem muito boa.

Então o urso pegou no coelhinho e limpou o traseiro com ele.



MORAL DA HISTÓRIA:

CUIDADO COM AS RESPOSTAS PRECIPITADAS, PENSA BEM NAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS, ANTES DE RESPONDER!


No dia seguinte, o leão, ao passar pelo urso diz:

- Olá amigo urso! Com toda essa pinta de bravo, forte e machão, vi-te ontem, a dar o traseiro a um coelhinho felpudo.

Já contei a toda a malta!!!


MORAL DA MORAL:


PODES ATÉ GOZAR ALGUÉM, MAS LEMBRA-TE QUE EXISTE SEMPRE ALGUÉM MAIS FILHO DA PUTA DO QUE TU!


"O problema de Portugal é que, quem elege os governantes não é o pessoal que lê os jornais, mas quem limpa o cu com eles!"

ESTE ANO NÃO HÁ PRESÉPIO



Meus caros! Digo-vos isto com tristeza... Este ano não há Presépio!

A vaca está louca e não se segura nas patas.

Os Reis Magos não vêm porque os camelos estão no governo.

José e Maria foram meter os papéis para o rendimento mínimo e a ASAE fechou o estábulo por falta de condições.

O Tribunal de Menores ordenou a entrega do Menino ao seu pai biológico.

CURTO E MUITO ACTUAL



Diz a Avó para a Neta:

- Com a tua idade, já eu trabalhava.

Responde-lhe a Neta:

- Com a tua idade, vou estar a trabalhar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

"1906 - ORAE POR NÓS"


Esta noite está um frio de rachar.

É fim de semana e vim passá-lo a uma pequena e sossegada aldeia transmontana onde tenho bons amigos.

A neve cai em flocos, lá fora. O gato "farrusco" simpatizou comigo e veio aninhar-se aos meus pés. De vez em quando, quer subir-me para os joelhos e teclar no meu portátil.

A lareira está acesa, o fogo crepita e eu penso:

Como há pessoas capazes de renegar as suas origens?

Como são capazes de deixar de vir ao local onde nasceram, visitar o cemitério e deixar uma prece aos seus mortos?

Quando chego a um lugarejo ou cidade, um dos locais que visito primeiro, é o cemitério. É de lá que conseguimos extraír a alma de uma população, os seus valores, as suas crenças, pela maneira como cuidam das campas, pela elegância com que distribuem as flores pelas jarras e pelos dizeres que mandam gravar nas lápides.

Hoje passei pelo cemitério da aldeia e levei cinco rosas brancas e uma vermelha, a alguém que já não devia ter flores há muito tempo.

O tempo apagou as memórias e a luz daquela pequena lamparina.

A neve cai lá fora.

Eu estou aqui, ao calor desta lareira crepitante.

Mas estou triste.

Porque morreste.

E já não penso em ti.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

RECEITA RÁPIDA



POLVO À LAGAREIRO POBRE.

PARA REFORMADOS E PENSIONISTAS POBRES, DESEMPREGADOS E FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS.

BOM APETITE!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ORA VAMOS LÁ VER SE NOS ENTENDEMOS


Desde há muito tempo que tenho recebido e-mails, enviados por desconhecidos e desconhecidas, com extractos de textos de uma Senhora Deputada, que escreve para um jornal on-line de Setúbal, extractos esses pertencentes a textos com bastantes erros ortográficos.

Ora eu não sou revisora de textos de nenhum jornal e, se o fosse, certamente que cobraria os meus honorários.

Hoje acordei com a caixa de correio com catorze e-mails, todos com o mesmo texto.

Quem os mandou deve conhecer a Senhora e, por isso, aconselho a irem ter com ela e dizer-lhe que tenha mais cuidado na maneira como escreve, pois fica mal a uma representante da Nação, que está a ser paga por todos os portugueses, dar tantas "paulitadas" na gramática.

Resolvi fazer um "post" sobre este assunto, porque já estou saturada de me andarem sempre a "encher o saco" com o mesmo tema.

Telefonem-lhe, escrevam-lhe, vão ter com ela, mas NÃO ME CHATEIEM MAIS.

Se não conseguirem falar com ela, podem ir falar com o Paizinho que, certamente, lhe transmitirá o recado.

QUEM MATOU JOAQUIM FERREIRA TORRES? - SERIAM OS MESMOS? TUDO INDICA QUE SIM



« O jornalista da Visão Miguel Carvalho ganhou o Grande Prémio Gazeta 2009 pelo trabalho “Os segredos do Barro Branco” sobre Joaquim Ferreira Torres, figura ligada à oposição violenta ao 25 de Abril e assassinado em 1979. Miguel Carvalho publicou na Deriva "Aqui na Terra"

A REPORTAGEM DISTINGUIDA, na íntegra.

Joaquim Ferreira Torres - Os segredos do Barro Branco

Joaquim Ferreira Torres, industrial e financiador da rede bombista de extrema-direita, foi assassinado a 21 de Agosto de 1979. A morte serviu conveniências privadas e políticas. Mentores e autores não foram descobertos. O crime prescreveu. Trinta anos depois, a VISÃO traz a público novos dados e documentos.

Esta é a história de um homem controverso, de fortuna suspeita, que tentou cair nas graças do fascismo, deu dinheiro à oposição democrática, tirou comunistas da cadeia e ajudou «pides» e empresários a fugir. Um dia, ameaçou «abrir o saco» e calaram-no. A tiro

Naquela manhã, Joaquim Ferreira Torres levantou-se mais tarde do que o habitual. Normalmente, estaria a pé às seis horas. Mas o jantar terminara para lá da meia-noite e ele havia passado a madrugada com dores na coluna. Estava, contudo, bem-disposto ao pequeno--almoço. Era Verão e a família mudara da vivenda das Antas, no Porto, para a sua Quinta de Vila Nova, em Penafiel. A mulher, Elisa, ia para as termas de São Vicente, ali perto. O marido continuava a fazer o percurso diário entre a casa e a fábrica têxtil de que era proprietá rio, em Famalicão, ignorando o significado da palavra férias.

Apesar de discreto e reservado, regressara uma das últimas noites carregando uma mala com mil contos, fruto de um negócio com ciganos.

Atarefado, nem deu importância ao facto de, naquele período, alguém lhe rondar a quinta, questionando os caseiros sobre as suas rotinas. Estranhara apenas as avarias no telefone, quase sempre ao final da tarde. O aparelho parecia ter vontade própria e os técnicos tardavam em descobrir o defeito.

Tal não o impediu de marcar o referido jantar. Encomendara uns melões no restaurante Tanoeiro, em Famalicão, onde almoçava amiúde. O tenente-coronel Oliveira Marques e a esposa eram esperados à noite, vindos de Lisboa. Torres juntou à mesa a mulher, o Quinzinho sobrinho que criou como verdadeiro filho desde os onze meses após a morte de um irmão, a irmã Sãozinha e o cunhado Mota Freitas, major da PSP, entre outros familiares. Antes e depois da refeição, os homens reuniram no escritório. Oliveira Marques foi embora já passava da meia-noite.

Quando acordou, Torres vestiu uma camisa, casaco e calças claras, tipo caqui.
Apertou o cinto de cabedal vermelho e calçou uns sapatos castanho-claros picotados, de pala. No pulso, um Ómega de ouro. Num dedo, o anel, também em ouro, com brilhante de sete quilates.
Guardou a carteira com umas dezenas de contos e numa pequena pasta preta colocou documentos, cerca de 42 mil pesetas e 200 marcos. No casaco, levava a caneta em ouro e a agenda, cheia de contactos.
Nomes de homens de negócios, polícias e militares de várias patentes, velhos conhecidos do antigo regime, cónegos, políticos e cadastrados.
O industrial fez-se à estrada no seu Porsche vermelho 911 T, por volta das oito horas. Em Paredes, comprou os três matutinos do Porto e seguiu viagem. Três quilómetros à frente, na estrada nacional que liga Paredes a Paços de Ferreira, talvez vendo um rosto familiar, abrandou.
Numa emboscada de execução tipicamente militar, desconhecidos, munidos de armas pouco habituais no País, disparam contra ele vários tiros, atingindo-o sobretudo no crânio. Torres tombou, morto, para o lado direito do condutor.
Passavam 15 minutos das oito horas do dia 21 de Agosto de 1979. O Porsche contava mais de 77 mil quilómetros. Duas jovens iam comprar vinho quando deram o alerta. Joaquim Ferreira Torres tinha 54 anos, negócios menos claros, fortuna invejável e ligações íntimas a meios políticos, económicos e militares. Aguardava, em liberdade condicional, a repetição do julgamento da rede bombista de extrema-direita. Garantira que «abriria o saco» sobre os segredos e cumplicidades desse tempo. A morte ficou conhecida como «o crime do Barro Branco», lugar onde o calaram para sempre.
Até ali, ele tinha granjeado fama e fortuna vindo do nada e do esquecimento, ao estilo do mito americano. Nascera no simbólico 13 de Maio, em 1925, em Rebordelo, Amarante, um de 17 irmãos. Fez o ensino básico e vendeu carvão em Vila Pouca de Aguiar, onde o pai trabalhou nas minas. Também passou madeiras para Espanha, clandestino.
Foi marçano numa loja de mercearias finas e, no final dos anos 40, já andava por terras transmontanas, de bicicleta ou motorizada, como comissionista e vendedor de rifas, ganhando bom dinheiro com sorteios de chocolates e navalhas.
Em Murça, conhece Elisa, da aldeia de Noura, com quem haveria de casar. A rapariga trabalhara numa padaria e era governanta.
«Uma lasca de mulher, muito cobiçada», diz quem a conheceu. Namoram pelos quintais. E ela é sua cúmplice nas fugas à polícia, que metiam saltos pelos telhados e esconderijos em tonéis de vinho. Os mandados de captura contra ele sucediam-se. E do tribunal de Chaves desapareceria, mais tarde, o seu registo criminal, que incluiria um historial considerável de abusos de confiança.
Nos anos 60, já negociante de vinhos em Rio Tinto, Torres abre em Angola armazéns «com tudo do bom e do melhor para comer e beber», segundo um antigo inspector da PIDE. As relações e os negócios fluem. A partir de 1964, Sousa Machado, empresário, recorre a ele para fazer face a problemas económicos na Companhia Mineira do Lobito e nos hotéis Presidente e Panorama, em Luanda. Ao longo de anos, pedirá montantes da ordem dos 200 mil contos, empréstimos cuja totalidade não liquidará até à morte do amigo. O filão, porém, são as operações em diamantes e divisas.
Torres conhece Tschombé que, com ajuda da CIA e de diversos mercenários, tenta a secessão da província diamantífera do Katanga, no Congo. Quando o líder africano cai em desgraça, Salazar que lhe cedera armas dá refúgio aos familiares. Mas será o homem de negócios de Amarante a velar pelos interesses dos herdeiros de Tschombé. E pelos seus, claro.

UMA FORTUNA INCALCULÁVEL
Regressa, deposita lingotes de ouro na banca e dedica-se à especulação bolsista, mantendo laços com amigos de África.
Os bancos disputam-no e negoceia, fazendo-se caro. «Já ganhei mais mil contos! », ouviam-no, ao telefone, com gestores e administradores. Entre outros investimentos, compra terrenos, uma tipografia, uma casa de câmbios e chegará a ser dono de 27 quintas no Norte do País. Passeia-se num Jaguar 4.2, anda de Porsche e num Mercedes amarelo 350 SLC, desportivo. É amigo do banqueiro Pinto de Magalhães e do empresário Xavier de Lima, quase dono de Setúbal, a quem ajudaria a recuperar a fortuna.
É avalista de negócios no turismo e outras áreas. Devedor dele, Sousa Machado abre--lhe portas nos meios políticos e militares.
Hábil e desconfiado, anota tudo. Dos 110 contos que gasta nuns botões de punho a uma pulseira para a mulher no valor de 90 contos. O círculo íntimo sabe apenas o estritamente necessário. É de fúrias e impõe rotinas de forma quase militar, sem transigências.
Rigoroso, manda repetir textos à máquina por causa de vírgulas.

CULTIVA GOSTOS A PRECEITO

Os fatos e os sapatos são feitos às dúzias, por medida, nas melhores lojas de Santa Catarina, no Porto. De Londres, traz tecidos, sem falar mais do que o português.

Em casa, cultiva uma decoração imponente e aparatosa, com móveis franceses, que convidados classificam como «neobarroco da burguesia». Os jantares são opíparos e a garrafeira não destoa. Comprara mais de cem garrafas de Barca Velha, ao preço de muitos ordenados da época. Preferia colheitas de 64 e 65. Ou um Faustino I, Rioja, de 66. Se acompanhassem uma perdiz cozinhada pela mulher, tanto melhor.

Conquistado o estatuto financeiro, ao ritmo de «pronto-a-vestir», Torres procura a legitimação social que lhe faltava. Os seus ciúmes tinham um nome: Gonçalves de Abreu, comendador, dono de um império industrial, figura prestigiada, presidente da Câmara de Amarante. A autarquia e uma comenda eram o seu sonho. Ele esmera-se. Em finais dos anos 60, compra a fábrica têxtil Silma, em Famalicão, à família do destacado antifascista e comunista Lino Lima. Por mais de uma vez fará uso dos seus contactos para tirar o advogado dos calabouços da PIDE. Na Silma, onde a sirene marcava os ritmos das gentes de Brufe e Calendário, Mário Sousa, Maria de Sousa e Maria da Glória somaram 66 anos de trabalho. «O senhor Torres foi um bom patrão. Tinha as suas manias, mas pagou sempre os ordenados, mesmo quando esteve preso e fugido», contam. A sindicalista Ondina Coutinho travou com ele braços--de-ferro, a doer. «Nada era dado sem luta.

Mas tivemos condições de fazer inveja na região.» Militante do PCP, Ondina garante que Torres «nunca promoveu perseguições políticas na empresa». Já no estertor da ditadura, ele faz, porém, avultados donativos ao partido único, associações, bombeiros, misericórdias e instituições de caridade. As Irmãzinhas dos Pobres agradecem-lhe 50 contos entregues pessoalmente a Marcelo Caetano, presidente do Conselho. Colecciona medalhas de benemérito e benfeitor. Mas antes de tudo isso, já tinha um convite irrecusável...
Torres é nomeado para presidir à Câmara de Murça em 1971. Influências de um amigo salsicheiro a quem emprestara dinheiro. As verbas que faltavam ao município e que o Estado, somítico, não libertava, tinha-as ele. A terra dá um salto, ganha urbanidade. Oferece a cada morador um balde de plástico para o lixo que uma viatura camarária recolhe diariamente. Na rua, homem cénico que era, gesticula e dá ordens. «Exercia o mando, tinha dinâmica e visão», assinala José Gomes, antigo presidente da autarquia.

A COMENDA QUE NÃO VEIO

«Manda electrificar aldeias, abrir caminhos, construir estradas. Aparece de surpresa nas freguesias e, quando a verba se encontra esgotada, abre a bolsa e resolve os problemas», contava o seu vice-presidente.
Deu vida a lugares isolados, escolas.
«Foi um santo homem. Quem não é agradecido, é melhor não andar neste mundo», rende-se o lojista Alfredo Meireles. Adianta dinheiro que o Estado lhe pagará depois, aos bochechos. Estende a sua fábrica têxtil, dá terrenos pessoais para a construção de casas e inaugura uma piscina de fazer inveja na região. «Com ele, Murça seria a Suíça de Trás-os-Montes», crê José Gomes.

O populismo aflora. Empresta dinheiro a munícipes e paga a jornalistas por conta da montra impressa dos seus feitos. Dá banquetes de lagosta e assados, lautos. «Torres, Torres, Torres, és a nossa glória», canta-se.

Embalado, o edil até inaugura fontanários sem água, enquanto funcionários despejam baldes às escondidas para simular a liquidez que faltava ao momento. O Primeiro de Janeiro garante que ele «é o padrão do homem que todos desejariam ter como presidente». Adílio, Pedro, José, António e Mário, velhotes que comentam os assuntos da terra numa garagem da vila, ainda hoje garantem não haver espécie igual. «Até as casas de banho públicas lhe devemos.» Torres sonhou. Alto. Um dia, a vila engalanou-se para receber Américo Tomás e o autarca até pagou um livro para impressionar o Presidente da República na esperança de atribuição da comenda.

O Governo, porém, investigara a vida deste self made man nascido entre montes. «Não sabia nada de política, queria que todos vivessem bem e só pensava no próximo negócio.

Mas descobriram que ele não tinha a folha limpa», conta quem acompanhou o processo. Avisado, Tomás cancelaria a visita, desculpando-se com uma gripe. «Só quiseram dar-me Murça», lamentou-se o industrial, junto de amigos.

Tentara tudo para cair nas graças do fascismo.

Mas não encaixava na moldura do regime, que desdenhava de quem entrava fulminante na vida pública, com ares de novo-rico de extracção duvidosa. A revolução acentuaria o desfasamento, não sem luta. Júlio Montalvão Machado, primeiro governador civil de Vila Real em democracia, só consegue afastá-lo do cargo em Dezembro de 1974, após uma frustrada investida dos militares, recebidos pelo povo com varapaus, sacholas e forquilhas.

«Ele teria saído a bem, mas as pessoas queriam-no e lutaram com tudo. Foi o próprio Torres quem impediu que eu levasse um arraial de porrada.» Segundo Montalvão, era «um homem cordato, um excelente presidente para aquela gente», reconhece.

Apesar das ambições caídas por terra, ele não seria propriamente apanhado de surpresa pelo 25 de Abril. Dias antes das eleições de 1973, perspicaz e bem informado, convida César Príncipe a aparecer na casa das Antas. A relação entre ambos é boa, mas o jornalista do JN, relevante figura da oposição democrática, ligado ao PCP e calejado nas conspirações, receia as vigilâncias da PIDE. Arrisca. E Torres vai directo ao assunto: «Sei que está com a oposição.
Nada contra. Como sabe, tenho de defender o regime para proteger os meus interesses.
Vou dar mais dinheiro à ANP e alugar um helicóptero para a campanha. Mas também quero ajudar a oposição.» César escuta, estupefacto. «Ele queria começar a dialogar com o pré-poder e eu era quem estava mais à mão.» A oferta, «um envelope com algumas centenas de contos », tinha atrelado um pedido. «Sei que vai discursar num comício do Coliseu e queria que fizesse um ataque ao comendador Abreu.» César rejeita a condição. O donativo entra à mesma nas contas. «Anónimo, claro.» Torres joga em dois tabuleiros e, na despedida, confidencia: «Este regime está para acabar. É a PIDE quem mo diz.»

AS PRATAS, AS BOMBAS E A FUGA

Com as fervuras da revolução, Torres previne-se. Vende património incluindo 18 quilos de barras de ouro e prepara refúgio na Galiza. Ajuda «pides» a «dar o salto».
Nunca deixará, porém, de tentar pontes com os protagonistas do momento, como fez com Macedo Varela, militante comunista.
«Quis fazer um donativo ao MDP/ /CDE, mas com o objectivo de queimar alguém.
Recusei, claro», conta o advogado de Famalicão. Para ele, o industrial «não era esquisito em matéria de ideologias. Queria estar bem com Deus e com o Diabo». Mas ele teme o demo da foice e do martelo.
No início de 1975, é o fiel depositário de diversos valores de banqueiros, industriais e empresários nortenhos em fuga para Espanha.
Pratas, ouro, marfins, jóias e obras de arte de pessoas das suas relações são colocadas em casas e armazéns seguros, entre Tuy e Vigo, levadas por vezes em furgões atulhados. Ele controla a fronteira de Valença: guardas-fiscais escolhem na sua fábrica peças de vestuário. Abre contas para amigos em bancos galegos. Gere ele os dinheiros e os juros e aluga garagens para que possam esconder os Porsches, Mercedes e Jaguares.

O general Spínola foge para o estrangeiro e funda o MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal).

O braço-direito é Alpoim Calvão, militar responsável pelo sector operacional do movimento. No Norte de Portugal, Torres põe e dispõe e os apoios surgem de todo o lado. O presidente Mobutu, do antigo Zaire, oferece 5 mil espingardas semiautomáticas.

O comendador Abílio de Oliveira passa um cheque de um milhão de pesetas para a compra de armas. Dos quartéis, também saem algumas. O MDLP destrói, incendeia e faz explodir dezenas de sedes, casas, carros e estabelecimentos ligados, sobretudo, ao PCP e seus militantes. Há mortes. A rede bombista congrega autarcas, empresários e militares de diversas safras, sacerdotes, mercenários angolanos, ex-pides, seguranças do PSD, CDS e PS e gente para todo o serviço, com cadastro condizente. «Mais a direita de aldeia, caceteira e borrachona», refere um inspector da PJ desse tempo. Enquanto oferece roupa e dinheiro a retornados das ex-colónias, Torres ordena atentados e paga. Empresários compram-lhe dólares a um preço mais elevado e contribuem para a causa.

O movimento é despesa cara: as viagens de Spínola e os gastos de Alpoim custam mais de 3 mil contos por mês.

Com pouco de ingénuo, Torres sabe que o dinheiro é também usado para outras aventuras. Dirigentes no exílio compram casacos de peles de 900 contos e gastam «como lhes apetece». Um bombista queixa-se de passar fome, «enquanto outros se banqueteavam nos melhores hotéis». Por cá, a democracia pode esperar. Bombas explodem por conta de ódios de estimação e desavenças pessoais. O movimento comporta-se como «uma autêntica mafia», descreve quem o viveu por dentro.

As conspirações do MDLP com os moderados do Conselho da Revolução (Vítor Alves e Canto e Castro) sucedemse.

Torres, porém, diz-se «traído» quando os mentores do 25 de Novembro de 1975, liderados por Eanes, não cumprem o que alegadamente prometeram ao saudosismo de direita: Angola é entregue ao MPLA e o PCP iria continuar na legalidade. As bombas não param. Nem quando Vítor Alves e Canto e Castro reúnem novamente com o movimento, na casa de Valentim Loureiro, no Mindelo. Há armas e operacionais em roda livre. Sem perder de vista os alvos políticos, com o dedo de Torres. Em Abril de 1976, é assassinado o padre Max e dá-se o atentado à Embaixada de Cuba, em Lisboa.

Eanes é eleito em Junho para Belém, o País tenta normalizar. Torres é então detido com outros elementos ligados à rede bombista, entre os quais o seu cunhado Mota Freitas e o operacional Ramiro Moreira.

DO EXÍLIO À MORTE

O industrial é preso em Caxias, onde assina cheques e despacha assuntos relacionados com os seus negócios. Mas é libertado, alegadamente corrompendo um magistrado na fase de instrução do processo, a troco de vários milhares de dólares.

Na sequência das investigações da PJ, o Conselho Superior de Magistratura receberia uma recomendação oficial para abrir, no mínimo, um processo disciplinar ao magistrado. Nos arquivos do Conselho, confirmou a VISÃO, não consta que tal tenha sido feito.

Em Março de 1977, Torres é avisado um dia antes da emissão de novos mandados de captura e foge para Espanha. O irmão Avelino leva o Mercedes por Chaves, ele segue com o irmão Adelino por Valença, num BMW. Irado, desabafa contra «os pulhas» da magistratura e do Conselho da Revolução. «Dei milhares de contos àqueles filhos da puta para me ver livre deles e agora tentam mandar-me novamente para a cadeia.» Em Vigo, ocupa o quarto 710 do Hotel Nisa, que já lhe é familiar. Tem uma linha de PBX só para ele e controla, na recepção, todos os passaportes de portugueses ali hospedados. Se desconfia de alguém, diz ao dono do hotel: «Para este, da próxima, não há quartos.» Gere contas bancárias abertas na cidade e tem um cofre na Suíça.
A família visita-o aos fins-de-semana.
Almoça e janta no Las Bridas, onde uma sala mais recolhida é construída a seu pedido.
Aluga um apartamento junto ao El Corte Inglés. Atribuem-lhe relações amorosas com mulheres de amigos e de presos da rede bombista. Improvável, porém. Os seus devaneios eróticos ter-se-ão limitado a envolvimentos com meninas de cabaret, às quais não precisava pagar o silêncio.

Torres seria julgado à revelia, mas absolvido no processo da rede bombista, a 6 de Julho de 1978, talvez ainda escudado pelo magistrado «amigo». Mantém-se entre Vigo e o Porto, sente-se inseguro. Vendera a Valentim Loureiro a antiga casa de câmbios, em Lisboa, e o Porsche, carro que recuperará nesse ano. Uma parte dos seus terrenos e quintas está nas mãos de Castro Martins, o Mata-o-Pai, envolvido em negócios duvidosos. Fictícias ou não, o amigo demora a acertar contas das transacções.
Elisa Torres chega a apontar-lhe uma pistola em Valpaços. Mas tudo já estaria saldado quando Castro Martins aparece morto, nos anos 80, a boiar no Douro, no enfiamento do restaurante Mal Cozinhado.
No Brasil, Torres leva «uma banhada» num negócio de ouro. Zanga-se com Alpoim Calvão e Sousa Machado (ver caixa).

«O Alpoim saiu-me um grande filho da puta», desabafa, perante família e amigos.

Mesmo em dificuldades, ajuda famílias de presos da rede bombista e antigos operacionais a refazer a vida no estrangeiro. Recebe ameaças. E não perdoa nem esquece.

Um dia, sentado no sofá de casa, vê Vítor Alves na televisão. Irrita-se: «Filho da puta, bem me enganaste! E andaste a beber do meu vinho e a comer do meu presunto!» No início de 1979, parte das fortunas e valores retirados de Portugal no pós-revolução continuava em contas e cofres estrangeiros.

Ou adormecida em garagens e quintas de Ourense, na Galiza. À porta dos mais estrelados hotéis de Vigo, ainda abundavam os carros de luxo, com as indisfarçáveis matrículas negras de Portugal. A revista espanhola Sábado Gráfico repara nos portugueses que gastam generosamente dólares e marcos, enquanto outros compatriotas, despejados, pelas excursões, no porto daquela cidade galega, comiam a tigela de caldo nos passeios. Por cá, Torres recebe a má notícia: o julgamento da rede bombista, da qual saíra absolvido, é anulado e será repetido. Paga uma caução de 250 contos e aguarda em liberdade.

A INVESTIGAÇÃO POSSÍVEL
Inconsolável, diz a amigos e família, que, se for a tribunal, abrirá o livro. Falaria das páginas negras do MDLP, incluindo o furto da coroa de Nossa Senhora da Oliveira, do museu de Guimarães. E na utilização de grandes quantias de dinheiro e armas pertencentes ao movimento. Tinha vivido por dentro as conspirações e reuniões anteriores ao 25 de Novembro.

Lidava com bombistas e contrabandistas.
Sabia quem lhe devia dinheiro e porquê.

A poucas semanas de se sentar no banco dos réus, tudo terminaria, porém, numa curva do lugar do Barro Branco. E num silêncio ensurdecedor.

O crime apanha a PJ do Porto ainda a digerir a democracia. No activo, permanecem agentes do tempo em que eram dispensados do serviço para colar os cartazes do partido único. Em carros da Judiciária, também tinham saído objectos de valor para Espanha no pós-25 de Abril. Geram--se conflitos. Fausto Saraiva, o inspector que primeiro chega ao local do crime e logo devolve à viúva objectos pessoais da vítima, junta pistas avulsas em abono de uma tese «ideológica», inclinando a autoria do crime para a extrema-esquerda. As suas diligências, na fase decisiva, «dificultaram, para não dizer aniquilaram, quaisquer futuras hipóteses de abordagem» de diversas fontes anónimas, dirá, mais tarde, um relatório da própria PJ. As audições formais de testemunhas ou possíveis implicados iniciaram-se onze meses depois dos factos. Por essa altura, já a família de Torres tinha mudado as contas no estrangeiro de sítio e um irmão da vítima se tinha suicidado, tendo a seu lado recortes de jornais e fotografia do crime. Rigoroso, só um relatório do inspector Mouro Pinto, que também esteve no local.
O andamento do processo teve situações anómalas e caricatas. Avelino, o irmão que mudaria nos anos 80 os sobrenomes Torres Ferreira para Ferreira Torres para cavalgar a memória e o mito do mano Joaquim, pôs um carro à disposição da PJ e pagou viagens, refeições e outras despesas aos investigadores, com cerca de 7 mil contos entretanto pedidos à viúva. Apesar de anunciado várias vezes, um prometido livro da sua autoria a denunciar os implicados no crime ainda aguarda publicação.
Manuel Macedo, também MDLP, assistiu a interrogatórios e gastava 50 a 60 contos em almoços de perdizes e cabritos com jornalistas e inspectores da Judiciária.
O ex-MDLP Ângelo do Nascimento, sobre o qual pendiam vários mandados de captura, é encontrado com armas e caçadeiras, mas mandado embora.
Em 1982, Artur Pereira, da Secção Regional de Combate ao Banditismo da PJ, assume a investigação, dá ordem e alguma solidez ao processo. Alpoim Calvão, Vítor Alves e Canto e Castro são ouvidos, sem adiantarem contributos para o desvendar do crime. Há teses para todos os gostos, com a alegada vendetta do Barro Branco a oscilar entre 3 mil e 4500 contos para os executantes.

O processo atravessaria três gerações da PJ. E acabaria nas mãos de Vítor Alexandre, na Direcção Central de Combate ao Banditismo. Mesmo com arquivamentos pelo meio, a Judiciária faz escutas e novas inquirições que ajudam a sustentar uma acusação no crime do Padre Max, que acaba em julgamento. Mas o caso Torres, «enfim. é um enigma muito grande. Até depois de morto dá problemas», diria Manuel Macedo, apanhado nas escutas.
Ao longo de anos, vários dos visados em notícias e citados no processo ameaçaram recorrer aos tribunais, rejeitando «calúnias e difamações». A PJ rende-se em meados dos anos 90. Alpoim Calvão, com depoimentos contraditórios, gera a «forte suspeita» de intervenção nos factos ocorridos, mas faltam indícios sólidos.
O despacho de arquivamento assinala «alguma lógica» na lista de motivações relacionadas com os «negócios escuros » do MDLP e as conspirações da rede bombista com o Conselho da Revolução.
O crime prescreve em 1995.
A 21 de Agosto de 1979, quando ameaçara «abrir o saco», Joaquim Ferreira Torres não tinha percebido o timing da democracia.
Conspiradores de outros tempos tinham sido reciclados para o conforto dos cargos, das instituições e do poder político.
Outros andavam envolvidos nos negócios.
Queriam iniciativa privada, lucros e normalidade democrática. E sossego, por favor.

Passos de uma investigação

Para esta reportagem, a VISÃO realizou dezenas de entrevistas a pessoas que contactaram com Joaquim Ferreira Torres ou que, por alguma razão, estiveram por dentro de passos da sua vida e da evolução dos acontecimentos. Muitas solicitaram anonimato.

Outras, como Joaquim Costa Torres, a quem a vítima sempre tratou como filho, recusaram «terminantemente» prestar declarações. A VISÃO teve ainda acesso a diversas cartas, fotos e outra documentação que permanece à guarda de um advogado a quem a viúva falecida em 2008 confiou vários arquivos. Foram ainda consultadas, com precioso empenho da Secção Central do Tribunal Judicial de Paredes, as mais de 1800 folhas do processo de instrução.

Últimas cartas
Em 1978, por alegado intermédio de um amigo, Torres emprestara 20 mil dólares para os negócios de Alpoim e do empresário Francisco José Sousa Machado. Passados os prazos, Torres não havia recebido o dinheiro.

Em várias cartas a Alpoim confessa, desesperado, atravessar «grave crise financeira». É violento com o destinatário e manda recados ao Chico Zé, que, refere, não demonstrara vontade de resolver o problema. «O que mais me custa é não poder cumprir com as minhas obrigações», diz. E termina uma das missivas, ameaçando Alpoim. «Peço-lhe, caro Guilherme, não me obrigue a ter de pensar de si o que não desejaria nunca.» Já em 1979, Torres troca correspondência com Carlos Bernardo Vieira, empresário guineense, primo e «irmão de sangue» de Nino Vieira, Presidente da Guiné-Bissau. Nas missivas, falam de um negócio e sabia-se que Torres sonhava com um banco naquele país. Carlos Vieira garante que Valentim Loureiro é conhecedor das suas influências e diligências junto do poder político da Guiné. E diz estar a esforçar-se «para que o seu negócio se concretize de forma a ter margem para eu ganhar também algum para a educação das minhas filhas», escreve. A dada altura, percebe-se, o negócio parece emperrar. Torres morreria semanas depois da última carta.

POR MIGUEL CARVALHO»

QUEM MATOU SÁ CARNEIRO?



Amaro da Costa, então Ministro da Defesa, tinha proibido a venda de armas ao Irão.

Dois dias depois da queda do avião e da sua morte, a venda foi efectuada.

Estranho.

Tanto mais que Sá Carneiro tinha viagem marcada na TAP, para o Porto, e só não foi porque Amaro da Costa convidou-o a ir no Cessna, dizendo-lhe que tinha três lugares vagos.

Estes factos são públicos.

Tudo leva a concluir que o atentado era dirigido a Amaro da Costa e não a Sá Carneiro.

Fala-se que havia também um "saco azul", militar, à revelia do Ministro da Defesa.

A bronca ia estoirar.

Tenho a impressão que deve haver uns quantos ex-militares, de alta patente, envolvidos na tramoia.

Não sei por que motivo não reabrem o processo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CORAÇÃO GELADO


Hoje nevou por estes lados.

Está muito frio.

E chove também.

Estou com medo daquilo em que me tornei.

Fria e distante.

Tenho dois fígados.

Um, no lugar do coração.

Outro, no sítio onde é o lugar dele.

Quando, na realidade, sempre procurei amar o próximo.

sábado, 27 de novembro de 2010

A KATYZINHA



A moçoila gosta de arrotar, é de Penafiel e existe mesmo.

Ora oiçam com atenção, o que ela tem para nos dizer.

Uma Pérola!

PARABÉNS MARINHO PINTO



Foi reeleito Bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses, com 9.532 votos de um total de 20.521 votantes.

Fragoso Marques ficou em segundo, com 5.991 votos e Luis Filipe Carvalho em terceiro, com 3.666.

Espero que continue a fazer ouvir a sua voz contra os corruptos deste País, e que nunca se cale, nem dê tréguas aos oportunistas do regime.

OS DEMAGOGOS


Nestes últimos dias tenho-me insurgido à brava, contra essa história de a classe política ter resolvido instituír e comemorar o dia internacional contra a violência perpetrada sobre as mulheres.

Ora não é só ao dia 25 de Novembro que as mulheres que são vítimas de maus tratos, violência física, psicológica ou sexual, precisam de ajuda e que se fale delas.

Todos os dias há dezenas de mulheres que são ameaçadas, agredidas, vilipendiadas, abusadas e até assassinadas, não só pelos maridos, amantes ou companheiros, mas também por desconhecidos que têm orgasmos quando ameaçam ou batem em mulheres.

Este é um tema recorrente em muitos dos meus "posts" e artigos e nunca esperei por dias marcados, para vir à liça condenar aquilo que sempre achei abominável e que é o facto de um homem ameaçar ou agredir uma mulher.

Também há mulheres que batem em homens, eu sei. Conheço alguns casos que estão em Tribunal, em que eles ficaram muito maltratados (abençoadas mulheres!). Mas, curiosamente, porque quem começou a agressão foram eles e não contavam obter a correspondente resposta à altura: uma panela de pressão pelos cornos abaixo, ou um ferro de engomar bem quente, atirado com uma bela pontaria, situação resultante de anos de sofrimento e de maus tratos. Legitima defesa, pois claro!

O caricato da questão, foi ver alguns políticos ranhosos, que gostam de ameaçar e de agredir o próximo, a substituir no facebook, nos dias 25 e 26 de Novembro, as suas próprias fotografias por fotos de mulheres marcadas pelas agressões, sem qualquer moralidade, num gesto de ridícula e total demagogia, feita à maneira, só porque querem parecer aquilo que não são, nem nunca hão-de ser, pela sua total incapacidade intelectual e falta de vergonha.

Nunca vi aqueles "filhos de uma mãe franquiada", a fazer o que quer que fosse, para acabar com o flagelo. Têm a faca e o queijo na mão para mudar a legislação e tornar as penas mais pesadas e não o fazem.

Ao invés, instituem um dia para chorar lágrimas de crocodilo por uma coisa para a qual se estão cagando de alto.

Espancadores de mulheres deste País: esta corja de inconsequentes, que anda no Facebook, quer que vocês, antes de começarem a malhar no lombo do vosso saco de porrada, vão comprar um ramo de rosas vermelhas, para lhe oferecer depois.

É de bom tom, para comemorar a data e para eles poderem anunciar na sua página pessoal, que gostam de violência contra as mulheres.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

FOI O HENRIQUE NETO QUE DISSE



«05/11/2010


por Paulo Anjos


Pois foi. Mas lá está. O senhor já tem uma certa idade, é rico e pode dizer o que lhe dá na gana. Além disso, está reformado e quer é ler uns bons livros e divertir-se. Foi ele que disse. E por isso também se dá ao luxo de dizer alto o que muita gente do PS diz baixinho. Pelo menos enquanto o Sócrates for primeiro ministro.

E o que foi que ele disse? Leiam, então, a parte final da entrevista que ele deu hoje à Anabela Mota Ribeiro, no Jornal Económico:

Porque é que tem pó ao Sócrates?
Uma vez, fui a um debate em Peniche, conhecia o Sócrates de vista. Isto antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei: “Este gajo não percebe nada disto”. Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe [riso]. Eu, que nunca tinha ouvido o homem falar, pensei: “Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis”. Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis.

Esse é um dos nomes mais simpáticos que lhe chama, chama-lhe outros piores.
Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita gente de qualidade. Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o Sócrates só podia dar asneira.

Nos últimos tempos, a sua voz é das mais críticas no PS, e o desdém com que fala dele faz-me perguntar se a questão tem uma raiz emocional.
Faço uma explicação: gosto muito de Portugal – se tiver uma paixão é Portugal – e não gosto de ninguém que dê cabo dele. O Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto. Entre o mal que faz e o bem que faz, com o Sócrates, a relação é desastrada. O Soares também fez muito mal ao País, mas também fez muito bem; se calhar até fez mais bem do que mal.

A maneira como se envolve e se empenha cada vez que fala de Sócrates, faz perceber que há ali uma motivação que é epidérmica, que não é uma coisa só racional.
Não. Há caras de que gostamos mais e outras menos, mas não me pesa assim tanto. Além do facto de que estou convencido de que ele não é sério, também noutros campos. Conheci a vida privada do Sócrates, ele casou com uma moça de Leiria, de quem conheço a família. Sou amigo do pai dela, que foi o meu arquitecto para a casa de São Pedro de Moel. Esta pequena decoração que vê aqui [em casa] foi feita pela cunhada do Sócrates. Às vezes compro umas pinturas que a mãe delas faz. Nunca fui próximo da família, mas tenho boas relações. Não mereciam o Sócrates. Portanto, sei quem é o Sócrates num ambiente familiar. Sei que é um indivíduo que teve uma infância complicada, que é inseguro por força disso, que cobre a sua insegurança com a arrogância e com aquelas crispações. Mas um País não pode sofrer de coisas dessas.

Permite-se dizer todas as coisas que diz acerca de Sócrates porque tem esta idade e porque tem o dinheiro que tem?
Não tenho muito dinheiro.

Há essa ideia, sobretudo depois de ter vendido a sua participação na Iberomoldes.
Quase dei. Não queria morrer empresário. Tenho para ir vivendo, não tenho assim tanto dinheiro. Também não posso ser tão inocente… O problema é que também estava convencido de que a indústria portuguesa vai toda para o galheiro. Com os erros que estamos todos a cometer, só por milagre é que algum sector vai sobreviver. Se estou convencido disso o melhor é não fazer parte do problema, especialmente nesta fase da minha vida. Tenho a minha independência económica.

Não depende.
Sempre fui assim. Escrevi uma carta ao Guterres, que foi publicada, em que lhe disse coisas que digo do Sócrates.

Foi deputado na governação de Guterres.
Era deputado quando escrevi a carta, era da comissão política do Partido Socialista. Foi na fase de Pina Moura e daqueles descalabros todos. Na comissão política, estão publicadas algumas dessas coisas, [sobre] os negócios do Jorge Coelho e do Pina Moura. Depois de ter falado disso tudo em duas ou três reuniões e não ter acontecido nada, escrevi uma carta e mandei ao Guterres. Ele distribuiu a carta. No outro dia veio nos jornais. Era uma carta duríssima. Os problemas eram os mesmos, estávamos a caminhar mal, estávamos a enganar os portugueses, a dizer que a economia estava na maior, quando não era verdade. Na altura já falava com o Medina Carreira e ele já falava comigo.

Está a dizer-me que sempre se permitiu dizer tudo.
Sim. E tinha a empresa. Quando o Pina Moura foi ministro das Finanças, uma senhora das Finanças instalou-se lá na empresa. Nunca contei isto. Encontrava-a no elevador, nunca falei com ela, “bom dia sra. Dra”. Mas os meus homens contavam-me. Andou à procura, à procura, à procura como uma doida. Esteve lá alguns dois anos. As coisas não são impunes, a gente paga-as neste mundo. Disse o que quis do Pina Moura, da maioria desses gajos; era natural que se defendessem. Os seus colegas jornalistas muitas vezes foram ao Pina Moura com o que eu disse; e ele: “Não comento”. O Guterres também não comentava, e o Sócrates também não comenta. Aliás, quando faço uma intervenção ao pé dele fica histérico, não me pergunte porquê.

Porque é que não quis acabar empresário?
Porque ser empresário hoje é ser herói. Já não tenho idade para ser herói. A economia portuguesa não está assim por acaso.

É o seu projecto de vida. Porque é que não quis continuar a trabalhar nisso que foi a sua vida?
O meu pai mudou de vida várias vezes. Por exemplo, emigrou para trabalhar na Alemanha com quase 70 anos e não foi por estar com fome. Devo ter alguma coisa da irrequietude do meu pai. Por outro lado, trabalhei e descontei para a Segurança Social durante 59 anos, sinto que cumpri a minha obrigação com o País. Fiz coisas interessantes, o grupo Iberomoldes é um grupo empresarial muito estimulante e inovador; mas tudo na vida tem um princípio e deve ter um fim. Éramos dois sócios com 50% cada – o que nem sempre é fácil – e na fase final da sociedade fui confrontado com alguns problemas inesperados que me desagradaram e de que só tomei conhecimento demasiado tarde. Tudo junto, e porventura o facto de já não ser novo, fez-me decidir pela reforma.

Sente-se velho? Tem 74 anos.
Sim. Velho é relativo. Para fazer a vida que quero, não. Para estar lá das oito da manhã à meia-noite, e ter os problemas que uma empresa tem, os clientes…

[a gravação é retomada daí a minutos]

… Tinha na empresa um senhor que o meu sócio quis mandar embora logo no princípio, o que nunca deixei. Um bocado verrinoso, mas com uma visão crítica. Era daquelas pessoas que têm prazer em encontrar coisas mal feitas. Uma pessoa utilíssima numa organização.

É assim em relação a Portugal e ao socratismo? Tem essa veia verrinosa, gosta de apontar o que está mal feito?
Não tinha essa veia verrinosa, mas acho-a útil. Adoro a crítica. O Dr. Vareda ensinava-nos nos livros lá da biblioteca que tínhamos de ser críticos de nós próprios, dos outros, da sociedade, mas com inteligência. E ver os pontos fracos.
Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos; fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo. Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate.

Apesar da discordância, continua ligado ao PS.
A última comissão política do PS foi feita no dia em que o Sócrates anunciou estas medidas todas. Convocou a comissão política depois de sair da conferência de imprensa, para o mesmo dia, à última da hora, para ninguém ir preparado – primeira questão. Segunda questão, organizou o grupo dos seus fiéis para fazer intervenções umas a seguir às outras, a apoiar, para que não houvesse vozes discordantes. A ideia dele era que o Partido Socialista apoiasse as medidas. Fez medidas tramadas, toda a gente sabe. O mínimo era que o partido as apoiasse. Mas não falou antes. Depois o Almeida Santos fez aquilo que faz sempre: uma pessoa pode inscrever-se primeiro, mas o Almeida Santos só dá a palavra a quem acha. Os que acha que vão dizer o que não quer que digam, só vêm no fim. E no fim: “Isto está tarde, está na hora de jantar”. Isto é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria.
O Arq. Fava é maçónico, o Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-Geral da República. Utiliza-se depois as técnicas da maçonaria – não é a maçonaria – para controlar a sua verdade.
Os sucessivos governos, este em particular, pintam uma imagem cor-de-rosa da economia portuguesa. Isto é enganar as pessoas sistematicamente. Depois aparecem críticos como o Medina Carreira ou eu a chamar a atenção para a realidade do País – chamam-nos miserabilistas! E quando podem exercem pressão nos lugares onde estão esses críticos e se puderem impedir a sua promoção ou acesso aos meios de informação, não hesitam.
Isto era o que se passava antes do 25 de Abril, agora passa-se em liberdade, condicionando as pessoas, e usando o medo que têm de perder o emprego.
José Sócrates, na última Comissão Política do PS, defendeu a necessidade das severas medidas assumidas pelo Governo, mas também disse que era muito difícil cortar na despesa do Estado porque a base de apoio do PS está na Administração Pública. Disse-o lá, e pediu para isso a compreensão dos presentes. Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de todos».

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CURRICULUM "NOVAS OPORTUNIDADES"


Crido Cenhor

Kero candidatarme pro logar de ceqretária que bi no jurnal.

Eu teclo muinto de preça con um dedo e fasso contas de sumar.

Axo que sou boua ao tlefone em bora seija uma peçoa do pouvo.

Tou a arresponder au luguar de ceqretária que li no jurnal. O meu selário tá aberto há discução pra que poça ber o que me quer paguar e o Cenhor aja queu meresso.

Tenho a nha mãe entrenada no óspital mas póço cumessar imediatamente.

Agradessida em avanso pela sua resposta.

Cinceramente

A abaicho azinada
Catia Vanessa Estrela

PS: Proque o meu currico é muinto piqueno, culei uma fóto minha emssima




RESPOSTA DO EMPREGADOR:


Querida Cátia Vanessa:

Está contratada.

Nós temos corrector ortográfico.

A menina começa já amanhã.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

OS EFEITOS DA CRISE


O mentiroso cortou os abonos de família, os incentivos à natalidade, os subsídios de aleitamento e os duzentos euros por nascimento de cada bébé, a depositar em conta, até à maioridade.

O mentiroso deixou famílias inteiras na penúria, que mal têm para dar de comer às suas crianças.

O aldrabão não quer saber se os bébés portugueses têm condições mínimas de subsistência.

O vigarista é o tal que quer aumentar o IVA das fraldas, para 23%.

Por este andar, qualquer dia as famílias portuguesas terão de algaliar os seus bébés, ou arranjar outra forma mais expedita de não gastar fraldas descartáveis, que pesam muito no orçamento familiar.

Tudo por causa daquele mentiroso compulsivo.