Ao jantar de Sábado passado, naquele que eu considero o melhor restaurante do Barreiro, fui abordada por um senhor de meia idade, da mesa ao lado, que me reconheceu pela foto que utilizo nos meus artigos de um jornal on-line.
Veio apresentar-se e cumprimentar-me efusivamente, dizendo que gosta de me ler no jornal e no blog, e que já o fiz chorar com dois dos meus escritos.
"O homem está maluco", pensei eu.
Mas não estava.
Trocámos algumas impressões sobre a cidade e sobre um dos meus últimos "posts" que visa o facto de certas pessoas me verem como uma espécie de "guardiã", ao ponto de quase me exigirem que tome medidas sobre certas situações iníquas que estão a passar-se cá no burgo.
Lá tive de lhe explicar que não sou de cá. Que vim a primeira vez ao Barreiro com três anos de idade, visitar os meus Avós e alguns familiares Camarros e que, todos os anos, costumava vir passar férias a Portugal e muitas vezes ficava por cá, pela cidade e por Lisboa.
Como herdei a casa que era deles, estou por aqui muitas vezes, e também porque adoro a minha Tia Vivi, barreirense de gema, que é uma velhota adorável e curtidola, para a idade que tem. Por causa da promessa que ela fez à Santa, todos os 15 de Agosto tenho de levá-la à procissão de Nossa Senhora do Rosário.
Conversa puxa conversa, veio à baila o facto de todos os dias ter de apagar dezenas de e-mails, de pessoas que me dão conta e enviam informações e "links" sobre autênticos casos de polícia que se estão a passar na cidade, sob a passividade de todos aqueles que têm conhecimento deles e não fazem nada para denunciar. Não é a mim que têm de reportar esses acontecimentos.
Foi um jantar muito agradável e o tempo passou a correr.
No final, recebi um carinhoso abraço desse meu "admirador" e da esposa. Fiquei surpreendida, pois nunca tal me tinha acontecido.
"Também sou benfiquista e amigo do Vladimiro", atirou, à laia de despedida.
No regresso a casa, pelas ruas do BV, fui pensando em como é bom ter e fazer amigos.
É um grande privilégio, para mim, ter muitos e bons amigos no Barreiro.
Logo à noite vou regressar ao Norte, com essa satisfação.
Hoje venho aqui apenas para pedir que não me "entupam" as minhas caixas de correio electrónico, com links para blogs e notícias sobre uma Instituição do Barreiro.
Desde há muito tempo que isso acontece e começo a ficar farta pois, só no dia de hoje, enviaram-me 31 mensagens "no-reply", com o link para um blog chamado tendencianacionalistalusitanabarreiro .
Se o conteúdo dessas notícias tão graves, for verdadeiro, deverá ser feita, de imediato, uma queixa na Polícia Judiciária que certamente se interessará em apurar a veracidade dos factos nelas descritos.
Essa cambada de burlões ociosos, malandros, que falam e decidem em nome do Povo e não hesitam em destruír uma Nação, para atingir objectivos e interesses pessoais inconfessáveis.
Graças a esses incompetentes, em Portugal, apenas ficarão meia dúzia de velhos, sem qualquer opção de mobilidade e uns quantos amorfos, porque os outros terão de se fazer à vida, para outras paragens, seguindo a tradição dos portugueses que nos anos sessenta, do século vinte, emigraram e fizeram obra de relevo no exterior.
Claro que vão ficar também aqueles que vivem à custa dos outros (políticos, corruptos e similares). Os tais que fazem e desfazem revoluções em nome do Povo, sem que lhe perguntem se aprova o que fazem.
Mais uma vez os portugueses, incautos, cairam na emboscada.
Tudo em nome do "bem comum" e do Povo, dizem eles.
Não foi o Povo que matou o Rei D. Carlos.
Não foi o Povo que fez o 28 de Maio.
Não foi o Povo que fez o 25 de Abril.
Não foi o Povo que entregou as ex-colónias e desgraçou milhares de outros portugueses.
Não foi o Povo que abandonou à sua sorte, todos os autóctones das ex-colónias, que serviram no exército português e que, por esse motivo, foram barbaramente assassinados pelos chamados movimentos de "libertação".
Não foi o Povo que fez o 11 de Março.
Não foi o Povo que fez o 25 de Novembro.
Não foi o Povo que integrou Portugal na UE nem no Euro.
Não foi o Povo que enjeitou a língua portuguesa e aderiu ao novo Acordo Ortográfico.
Tudo feito com grande desfaçatez e descaramento, sempre em seu nome, mas nada referendado.
Quando será que este Povo dormente acorda, e toma as rédeas do seu destino?
Hoje, enquanto aguardava que o meu vizinho me viesse ajudar a catalogar os livros da minha biblioteca, resolvi mudar a disposição de todos os móveis e quadros daquela que os meus amigos chamam a minha "casa-museu".
De vez em quando sou atacada pelo chamado "bicho carpinteiro" e levo tudo à minha frente, numa fúria.
Desconfio que o meu vizinho se esquivou ao meu convite, com medo que eu o obrigasse a usar um avental e o pusesse a arrastar móveis e a pregar quadros.
Da minha cozinha, eu bem o ouvi a praguejar e a barafustar sozinho, sobre uns inúteis quaisquer e a Al-Qaeda. Quando isso acontece, é sinal que está de mau humor e mais vale não contar com a ajuda dele para nada.
Por isso, tirei quadros, mudei quadros, arrastei móveis e a casa ficou diferente.
Já estou a ver a cara dele, quando me vier pedir para lhe tomar conta do canito Oscar, enquanto vai às reuniões da Assembleia Municipal do Barreiro. Vai dizer que sou maluca, como sempre me diz, utilizando outras palavras.
Ainda estou à espera que o meu vizinho me venha ajudar com a livralhada toda e desconfio que ele está a fazer de propósito, para ver se me esqueço e se consegue escapar de me vir ajudar a catalogar os livros e a colocá-los nas estantes.
Ok, Vizinho, pode vir, que eu prometo que não o obrigo a usar avental. Eu também não sou fã de semelhante artefacto. Isso é coisa dos partidos políticos.
Para os "meninos" e "meninas" que me têm enviado e-mails e telefonado, a dizer que já não sou uma amiga presente, tenho a dizer-lhes que isso é falso.
Penso muito em vocês, mas como ultimamente tenho tido imenso trabalho, não me tem sido possível contactar-vos tão amiúde.
E depois o tempo também tem estado óptimo e tenho feito imensas "escapadinhas" para aquele sítio que vocês conhecem, que me faz esquecer tudo e mais alguma coisa, em boa companhia.
Prometo que lá mais para finais de Outubro, vou começar a contactar-vos mais vezes, para combinarmos qualquer coisa.
Quanto a ter fechado os comentários do blog, já vos tinha dito que o fiz apenas por não ter tempo de vir aqui responder a todas as vossas "indiscrições".
Sabem os meus telefones, sabem onde moro, apareçam sempre que quiserem.
Ah, antes que me esqueça, Carminho, já tenho mais uma cachorra. É uma boxer albina, que ninguém quis, por ser feia.
Eu acho-a linda e muito meiga. Podes ficar tranquila, que ainda não é desta que vou meter um crocodilo na banheira.
Há já uns tempos que andava "em baixo de forma" por causa de um dos meus objectos de estimação, herdado dos meus bisavós paternos.
De repente deixou de preencher o meu "vazio" com as suas suaves badaladas que me faziam reviver episódios da minha meninice e juventude, sobretudo a hora do lanche, em casa dos meus Avós, com sabor do arroz doce e das torradas e aquele cheiro a café com leite, que jamais voltarei a sentir em toda a minha vida.
Aquele relógio era "matemático" e nós, os mais pequenos, sabiamos sempre que àquela hora a nossa Avó esmerava-se e caprichava no lanche dos seus meninos e menina que era eu e os meus primos.
Um dia deixou de trabalhar mas eu mantive-o pendurado, apesar de mudo, pelo significado que ele sempre teve para mim e para a minha família.
Corri vários técnicos de relojoaria que nunca conseguiram pô-lo a funcionar: "tem um mecanismo muito antigo, diziam. Não vai encontrar ninguém capaz de o arranjar, a menos que lhe ponha uma máquina nova e mude toda a engrenagem".
Trouxe-o para casa e pendurei-o no sítio onde sempre o tive. Nesse dia, como que em protesto, desatou a dar badaladas, sem parar, mesmo sem que a corda estivesse activada.
Liguei para um amigo meu, engenheiro mecânico, que me sugeriu levá-lo à Reguladora, em Famalicão, considerados dos melhores técnicos do mundo em relojoaria.
Meu dito, meu feito. O relógio foi-me entregue hoje, arranjado, apesar de ser quase uma peça de museu, mantiveram a mesma engrenagem e não atrasa nem adianta um segundo.
Continua a dar as suas badaladas, aquelas badaladas que ainda hoje me transportam aos meus tempos de criança.
Falando de coisas muito mais agradáveis e mais "étnicas", tenho aproveitado todos os momentos que tenho livres, principalmente aos fins de semana, para desfrutar do excelente mês de Setembro que tem estado, com um calor magnífico, para conhecer, melhor, Portugal.
Sem pôr em causa o meu gosto por tudo aquilo que é genuíno, não consigo deixar de me encantar pelo produto nacional, por tudo aquilo que por cá se fabrica, pela criatividade dos nossos artesãos que não deixam os seus créditos por mãos alheias.
O Distrito de Viana do Castelo é pródigo em autênticas obras de arte. Desde os bordados, passando pela ourivesaria e acabando nos magníficos palmitos que eles fabricam como ninguém, aquela cidade é a minha "perdição".
Ofereceram-me vários lenços dos namorados, cheios de frases ternurentas, com muitos erros ortográficos, que mandei emoldurar e que ficaram giríssimos num dos meus recantos.
Não resisti aos palmitos. Agora tornei-me coleccionadora e qualquer dia destes acho que já não vou conseguir entrar em casa, com tanta "tralha" que tenho. Pelo menos é o que dizem aqueles meus amigos que acham que moro num "museu" de arte antiga.
Mas eu cá sou assim. Acho que não conseguiria viver num espaço que não fosse totalmente criado por mim e onde não me sentisse lindamente, na companhia das minhas "imbambas", dos meus cachorros e de todos aqueles que amo e que gostam de mim.
Sinto-me uma privilegiada, porque sou uma pessoa feliz.
A vida é bela e precisamos saber vivê-la, sem "atropelar" ninguém.
Em Portugal a "classe política" é uma cambada de oportunistas.
Se é que alguém no seu perfeito juízo pode considerar como "políticos" essas aves raras e ociosas, que proliferam por aí e não sabem fazer outra coisa que não seja dar nas vistas, viver do erário público e à custa de trafulhices, pois nunca aprenderam a trabalhar.
Portugal deve ser o único país no mundo onde essas avantesmas entram na "respublica" tesos que nem carapaus e com um décimo segundo ano tirado nas novas oportunidades e depois saem "licenciados" e milionários, com uma conta choruda num offshore.
Estou a pensar como é que o outro consegue viver e estudar em Paris, sem vencimento, fazer vida de luxo e oferecer lautos almoços aos amigalhaços.
Depois do Guterres com o seu "hino" de campanha, a pirosa música de Vangelis “1942: Conquest Of Paradise”, que fiquei a detestar, seguiu-se-lhe José Sócrates com o tema do filme "O Gladiador", tocado até à exaustão, o que fez com que eu odeie semelhante música.
No XVIII Congresso do PS, em Braga, foi a vez de António José Seguro ser pouco original e adoptar, também ele, o tema principal da série televisiva "Norte e Sul", que versava a guerra de secessão americana e a abolição da escravatura naquele país.
Da maneira como estão as coisas no nosso país, o Partido Socialista, como causador da actual situação de Portugal, deveria ser coerente e ter adoptado o tema do filme "Titanic", "My heart will go on", cantado por Celine Dion.
Escusado será dizer que Portugal, actualmente, é como se fosse um barco que carrega todos aqueles contribuintes que trabalham no duro e não podem fugir ao fisco. São eles que sustentam aqueles ricaços que devem milhões à banca, não pagam um cú e ainda gozam o prato, como é o caso do Senhor Berardo.
Tal como no filme, o barco vai afundar, e só os ricos vão escapar.
Afinal o rei ia nú.
E havia um iceberg, no lugar do paraíso prometido.